Toda vez que encontramos o sufixo “stomia” significa que algum órgão ou estrutura é exteriorizado na pele. Entretanto, as razões para se exteriorizar um órgão para pele podem variar.

O proctologista e cirurgião geral Dr. Guilherme Canfield explica que a colostomia, por exemplo, é quando o cólon do paciente (intestino grosso) é exteriorizado na pele. Em termos mais leigos, é o paciente que tem a famosa "bolsinha na barriga", na qual as fezes ficam depositadas. Quando o estômago é exteriorizado chamamos de gastrostomia; já a ureterostomia é a exteriorização de parte da via urinária.

Segundo ele, as razões para que uma ostomia seja feita é porque o trânsito das fezes ou urina precisa ser desviado da sua rota habitual, ou para criar uma nova via para a entrada de alimentos.

“Um exemplo é um paciente que tem um grande tumor no reto, e que está obstruindo a passagem das fezes, mas o tumor é tão avançado que já não há condições de retirá-lo. As fezes precisariam ser desviadas para evitar essa oclusão intestinal. Uma solução paliativa é deixar o paciente com uma colostomia 'proximal'. Ou seja, um desvio do intestino grosso para a pele antes que as fezes alcancem a região do tumor", explica.

Outra situação, na qual a função é diferente seria para alimentação. Um paciente com uma lesão neurológica que impede os movimentos de deglutição (engolir), não consegue comer pela boca. Logo, se for feita uma gastrostomia, pode-se colocar a dieta diretamente no estômago.

Mas Canfield ressalta, “na maioria das vezes colocar uma ostomia é a solução para algum outro problema, que pode ser temporário ou definitivo”.

Foto: Matheus Wittkowski

Casos comuns

Indicações comuns de colostomias são as cirurgias feitas na emergência ou no trauma.

Segundo o especialista, em casos como de pacientes que tiveram lesões perfurantes no intestino por armas de fogo (tiro na barriga), pode haver necessidade de ostomia. Pacientes em que é preciso fazer grandes retiradas de intestino por quadros de oclusão intestinal, eventualmente também pode ser fundamental o procedimento.

Viver com uma ostomia em princípio pode parecer a pior coisa que pode acontecer para uma pessoa. Porém o feedback dos pacientes que precisam conviver com uma é de que a pessoa acaba se habituando a tê-la e a manipulá-la.

O Dr. Guilherme Canfield, pontua que muitos pacientes que, em algumas ocasiões até poderiam tentar reconstruir o trânsito intestinal, mas com cirurgias que oferecem um alto risco, acabam optando por permanecer com a ostomia para sempre.

“Com certeza é melhor viver de maneira normal. No entanto, se por alguma doença ou situação, a ostomia se fizer necessária, é importante o paciente saber que a sua vida não chegou ao fim, e que é possível ter qualidade de vida mesmo sendo ostomizado. O paciente cria novos hábitos e aprende a viver com a cirurgia.”

Manutenção

O paciente ostomizado deve fazer a manutenção da bolsa, que consiste basicamente em manter a higiene e fazer as trocas periódicas do dispositivo que armazena as fezes (a bolsa em si). “Hoje dispomos de uma especialidade de enfermagem que acompanha esses pacientes ostomizados”, finaliza Canfield.

Sobre o especialista

O Dr. Guilherme Canfield é formado em medicina pela Universidade Positivo. Possui residência médica em cirurgia geral e coloproctologia pelo Hospital Universitário Evangélico de Curitiba. Professor de Anatomia da Faculdade de Medicina Estácio de Sá, em Jaraguá do Sul. Atua na CliniCanfield como coloproctologista, cirurgião geral e realiza exames de colonoscopia. CRM 18115 | RQE PROCTOLOGISTA 11597 | RQE CIRURGIÃO GERAL 9990.