A pandemia da COVID-19 trouxe mais compreensão e o entendimento da necessidade das vacinas para a sociedade. Foi a primeira vez que o desenvolvimento, aprovação e aplicação de um imunizante comoveu o mundo. Com a aplicação das doses contra o Coronavírus em processo e a chegada das estações mais frias no Brasil, foi intensificada também a imunização para H1N1. O que gera dúvidas sobre o intervalo necessário para a aplicação das doses contra o SARS-CoV-2 e a Influenza.

De acordo com o professor em Biotecnologia e Biociências da UniSociesc, Rômulo Ghanen, é preciso ter em mente que outros vírus não desapareceram por conta da pandemia e que a vacina é quem dará a melhor resposta imune a todos. “As campanhas de vacinação para Influenza e Coronavírus podem até acontecer ao mesmo tempo, mas nunca competirem entre si. Para isso, os protocolos do Programa Nacional de Imunização, PNI, cautelosamente requerem que as vacinas sejam aplicadas com um breve intervalo entre cada tipo de imunizante”, afirma.

“Como ainda não temos estudos completos de coadministração, por ora não se recomenda a administração simultânea das vacinas COVID-19 com outros imunizantes. Se aplicadas simultaneamente ou em um curto período de tempo, a força de uma resposta imunológica pode ter seu ápice diminuído, caso haja algum tipo de sobrecarga no organismo. Por isso, é estipulado um intervalo mínimo de 14 dias entre estas e as outras diferentes vacinas do Calendário Nacional de Vacinação", afirma.

Ele complementa que, além disso, estudos de farmacovigilância requerem um período maior de dados para a avaliação final dos efeitos adversos relacionados aos novos imunizantes contra o SARS-CoV-2. "E se fossem aplicadas doses contra vírus diferentes, os efeitos adversos de cada uma poderiam ser supra ou subnotificados e não saberíamos exatamente de qual vacina provieram”, explica.

Como as vacinas funcionam: há mais de um século que o conceito de vacinas é utilizado para proteger a população mundial. “Elas agem no organismo como um treinamento para o sistema imunológico para o dia da batalha, um ensaio para a apresentação final. Oferece ao sistema imune um falso patógeno, como um vírus inativo, um fragmento dele ou uma bactéria morta, o que é o suficiente para produzirmos uma defesa completa e, se porventura, o verdadeiro patógeno invadir nosso corpo, todas as armas já estão a postos apontadas para ele”, conta o mestre da UniSociesc.

Para a construção de um sistema eficaz é preciso um tempo para o corpo assimilar o “invasor” e criar a resposta imunológica. “Os anticorpos e os leucócitos, que combatem uma infecção, são específicos para um patógeno em particular, isto é, para uma infecção causada por outro vírus ou bactéria, o sistema imune realiza um contra-ataque distinto e não atinge o alvo principal. Inclusive, alguns tipos de variação em vírus ou bactéria podem significar a necessidade de construção de uma nova resposta imune”, resume ele.

Coronavírus X Influenza

O Coronavírus é um patógeno conhecido há décadas e comumente associado às síndromes respiratórias. Desde o fim de 2019, o SARS-CoV-2, causador da COVID-19, mobiliza a comunidade científica para detectá-lo, compreendê-lo e combatê-lo. “As ações de bloqueio do vírus no organismo são as mesmas para qualquer outro patógeno respiratório. A experiência com o H1N1, por exemplo, já aponta um norte para o controle do vírus”, conta.

A vacina para a Influenza, por exemplo, vem sendo anualmente produzida e aplicada no mundo inteiro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) rastreia as principais cepas (subpopulações variantes) dos tipos do vírus Influenza e informa aos laboratórios produtores de vacinas quais variantes devem ser utilizadas para o hemisfério sul e norte naquele ano. “Determinadas alterações na estrutura do vírus fazem com que eles se tornem diferentes aos olhos do sistema imune e a resposta imunológica é única. Isto significa que uma variante pode exigir do nosso organismo uma resposta totalmente nova, construída desde a etapa inicial e, portanto, com eficácia demorada”, conclui Ghanen.

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