O Pneumotórax espontâneo é a presença de ar dentro da cavidade pleural, cavidade esta que não existe em condições normais, pois o pulmão ocupa todo o espaço interno da cavidade torácica. Este ar que aparece por uma ruptura da capa que reveste o pulmão não se relaciona a qualquer tipo de trauma e pode ser classificado em primário ou secundário.

O cirurgião torácico Dr. Giovani Mezzalira, explica que o primário aparece mais frequentemente em jovens homens longilíneos, sem nenhuma doença e algumas vezes nem o hábito de fumar apresentam. Já o secundário se relaciona com a doença pulmonar obstrutiva crônica, neoplasias, infecções, ruptura de esôfago, fibrose cística, Síndrome de Marfan ou está relacionado à menstruação.

A área em preto é o ar que esta preenchendo o espaço pleural e empurrando o pulmão. As bolinhas brancas na região em preto são os drenos. É possível ver uma bolha na periferia do pulmão.

Sintomas

Geralmente o sintoma mais presente é a dor torácica súbita. Esta pode aparecer durante uma atividade física, por exemplo, ou até mesmo assistindo televisão. Ela é ventilatória dependente e pode ir piorando gradativamente, nos casos mais perigosos em um período de 24 horas pode fechar por pressão todo o pulmão.

Outras vezes, pode estabilizar sem ir embora, durando dias. Associado a dor, pode ocorrer falta de ar ou dispneia, tosse ou sintomas de pressão baixa.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito inicialmente com um exame de imagem, começando com um raio x de tórax e depois sendo importante refinar com uma tomografia de tórax.

“Um detalhe importante é que após um episódio destes o paciente passa a ter uma chance de 50% de ter um segundo episódio, por isso, o diagnóstico deve ser conseguido para o tratamento existir”, ressalta Dr. Giovani.

Existe uma alteração no pulmão onde houve uma fragilidade da capa que reveste o pulmão naquele ponto, formando uma pequena bolha; essa bolha se rompe e a partir desta ruptura, o ar vai para dentro da cavidade.

Tratamento

O especialista explica que o tratamento pode variar de uma observação clínica, até uma vídeo cirurgia para retirar as bolhas. Para isto precisa-se saber: o tamanho do pneumotórax, a intensidade dos sintomas, se é o primeiro episódio ou já é uma recorrência, se existe alguma doença associada, qual a ocupação do paciente.

Formas de tratamento

  • • Punção;
  • Drenagem da cavidade com a colocação de um dreno, tenho como rotina o uso de drenos extremamente finos com conexões em válvulas unidirecionais;
  • Cirurgia com a ressecção das áreas onde o ar está escapando, que geralmente ficam na parte mais alta dos pulmões.

A forma mais indicada seria a vídeo toracoscopia. Ela pode ser feita com 3, 2 ou apenas um corte.

“A nossa principal escolha é a técnica de vídeo que usa apenas um corte, chamada de uniportal. Com esta podemos aliviar ponto de dor e conseguir uma ótima resolutividade com alta um dia após a cirurgia”, salienta.

A região sem a bolha.

Colocação de um dreno entre o pulmão e a parede.

Sobre o especialista

O Dr. Giovani W. Mezzalira (CRM-SC 8611) atende na Clínica Toracopulmonar em Jaraguá do Sul. É formado em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde também se especializou em cirurgia geral. É cirurgião torácico, especializado pelo Hospital Universitário Evangélico de Curitiba e mestre em cirurgia torácica pela PUC - PR.