A Síndrome do impacto é um dos fatores mais importantes para causar as bursites (inflamação da Bursa) e as tendinites (Inflamações nos tendões) do ombro. Os mais comuns são os tendões do manguito rotador (supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor) e o cabo longo do bíceps.

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De acordo com o ortopedista e especialista em ombro e cotovelo, Dr. Rafael Valério, a Síndrome do Impacto surge de alterações no osso chamado acrômio, considerado o “teto” do ombro, que fica acima dos tendões e da bursa. “Alguns indivíduos podem desenvolver um “esporão” no acrômio ou possuir esse osso curvo ou ganchoso, com isso, durante alguns movimentos, pode ocorrer um atrito entre Bursa/tendão com a parte óssea do acrômio”.

Causas e consequências

Com esse atrito repetitivo, a bursa e os tendões podem desenvolver um processo inflamatório, que vai causar a dor no ombro.

O especialista destaca que, se não tratadas adequadamente, as alterações podem evoluir para problemas ainda mais graves, como as lesões dos tendões, mais comuns nos indivíduos acima de 50 anos de idade ou em pacientes que apresentavam uma tendinite grave e sofreram um acidente.

"Essas lesões podem ser inicialmente parciais e progredirem para lesões completas ou transfixantes, em que o tendão perde totalmente sua inserção no osso. As lesões transfixantes são mais graves e não cicatrizam sozinhas, normalmente necessitam de um procedimento cirúrgico para reparo", explica.

Além disso, a síndrome normalmente está ligada à pessoas que realizam atividades com elevação dos membros superiores com a mão acima da altura dos ombros, e é agravada por esforços repetitivos, excesso de carga, diabetes, tabagismo, falta de equilíbrio muscular e traumas e formato do acrômio – Reto, curvo ou ganchoso.

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"Quanto mais curvo, maior a probabilidade de impacto", afirma.

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Diagnóstico

O diagnostico geralmente é clínico, baseado na historia do paciente e no exame físico. O paciente normalmente conta que sente muito atrito e estalidos no ombro quando levanta o braço.

Pode ser necessário a realização de exames complementares de imagem como raio-x para avaliar o formato do acrômio, ressonância magnética ou ultrassom, para avaliar lesão tendinosa e bursites.
Deve ser avaliado ainda a pare da coluna cervical do paciente, pois muitas vezes pode ser a origem da dor.

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Tratamento

Segundo o Dr. Rafael, é importante salientar que o tratamento não pode ser baseado apenas nas medicações mas também nas mudanças de hábitos de vida, incluindo cuidados posturais e esforços repetitivos. O tratamento tem dois objetivos: diminuir a inflamação e reequilibrar a força/ alongamento do ombro.

"Para diminuir a inflamação, diversas medidas podem ser utilizadas dependendo de cada caso. O uso do gelo é recomendado quando tolerado. Medicações anti-inflamatórias por via oral ou injetável podem ser utilizadas. O reequilíbrio da força e do alongamento deve ser feito por um profissional fisioterapeuta", ressalta.

Nos casos em que a dor é muito importante e não regride com as medidas iniciais, uma infiltração pode ser realizada para diminuir a inflamação.

Já a cirurgia é indicada para a minoria dos casos. A reabilitação deve ser feita corretamente e, na maioria dos casos, gera resultados satisfatórios. No entanto, alguns pacientes não melhoram a dor e função.

Após uma avaliação detalhada do médico especialista em ombro, uma artroscopia (cirurgia por vídeo) pode ser indicada. Nela é feita uma limpeza da região acima dos tendões, com ressecção da bursa e do esporão do acrômio. Além disso, é feita a inspeção de todo o ombro e possíveis lesões não vistas nos exames podem ser diagnosticadas e tratadas.

Acromioplastia – raspagem para suavizar o atrito/impacto. Foto: Divulgação.

 

Sobre o especialista

O Dr. Rafael Valério (CRM/SC 20848) é ortopedista e especialista de ombro e cotovelo. Ele atende no Centro de Ortopedia Especializada (COE) em Jaraguá do Sul.