A esteatose hepática ocorre com o acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado (hepatócitos), que pode ser decorrente de uma resposta do fígado a uma agressão ao seu funcionamento, como na hepatite B ou C e doença alcoólica.

Quando decorrente de alterações do metabolismo como diabetes, obesidade, síndrome metabólica, gera um quadro de Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA).

De acordo com a endocrinologista, Dra. Angela Beuren, a esteatose atinge um em cada três adultos e o número de crianças e adolescentes acometidas tem crescido em virtude do sedentarismo e má alimentação, o que torna a esteatose e a DHGNA um problema de saúde pública.

“Até 90% dos indivíduos que fazem uso abusivo de álcool apresentam esteatose no fígado. A DHGNA representa a principal causa, são cerca de 70%. Essa é a grande importância do acompanhamento conjunto do hepatologista com endocrinologista”, afirma.

Algumas doenças primárias do fígado se manifestam com a esteatose. São as hepatites virais, doença de Wilson, mas principalmente, na doença hepática alcoólica.

Algumas causas secundárias favorecem o aparecimento da esteatose, e nesses casos com a remoção desse fator o quadro pode ser revertido. Exemplos: hipotireoidismo não controlado, uso de medicamentos e esteroides anabolizantes (causa crescente pelo uso indiscriminado em academias). A DHGNA está diretamente associada à obesidade, dislipidemia (alteração dos triglicérides e colesterol) e diabetes mellitus.

Diagnóstico

Segundo a especialista, o diagnóstico de esteatose normalmente se dá por achados em ultrassonografia de abdome, que sugere um fígado gorduroso.

Exames de sangue podem ser solicitados com o intuito de dosar as enzimas do fígado, que quando alterados já podem indicar esteato-hepatite. Além de exames metabólicos como dosagem de glicose, insulina, colesterol, triglicérides, hemoglobina glicosilada, ou ácido úrico e ferritina. Assim como exames que medem o grau de rigidez do fígado por elastometria (FibroScan ou Axplorer).

A biópsia do fígado, por exemplo, é solicitada especialmente em casos em que haja dúvida sobre a causa do problema.

Tratamento

Nos casos de esteatose secundária às causas metabólicas ou medicamentosas, por exemplo, a eliminação ou correção do agente causador resolve o problema, enquanto nas causas primárias de doenças do fígado, o tratamento da doença hepática existente e a abstenção alcoólica podem ou não eliminar a esteatose do fígado.

Dra. Angela ressalta que o tratamento é direcionado primeiramente para as modificações de hábitos de vida que envolvem dietas mais saudáveis e aumento da atividade física.

“Dieta com mais fibras, frutas e vegetais é o indicado. Reduzir a quantidade de gorduras e carboidratos, incluir alimentos integrais e evitar carboidratos simples (doces, açúcar, pão francês, arroz).”

Além disso, fazer exercícios físicos é essencial. Um total de 150 minutos na semana é o ideal. Controlar o diabetes, baixar os níveis de colesterol, perder peso, são medidas que auxiliam no tratamento.

De acordo com a endocrinologista, a perda de 10% do peso corporal já é suficiente para melhorar a esteatose e as alterações metabólicas e hepáticas. “De todos os tratamentos já investigados para o manejo da doença, apenas a perda de peso apresenta uma relação benefício/segurança apropriada”, destaca.

A velocidade de perda de peso também é importante. Dietas muito restritivas podem ser prejudiciais, já que pode haver piora dos danos ao fígado. “Substâncias que causam mais dano ao fígado como álcool, medicações e chás comprados sem receita médica, devem ser evitados.”

Consequências do não tratamento

Na DHGNA a maior parte das pessoas tem uma alteração estável no fígado que pode regredir desde que o problema metabólico seja sanado ou controlado. Até 30% deles podem apresentar evolução do quadro para a doença esteato-hepatite, que pode progredir lentamente e, ao longo de vários anos, levar à cirrose hepática e, menos frequentemente, ao câncer de fígado.

Sobre a especialista

A Dra. Angela Beuren (CRM 22889 / RQE 13603) é endocrinologista, formada pela Universidade Federal de Santa Maria, Medicina Interna pelo Hospital Universitário de Santa Maria e Médica Endocrinologista pelo IEDE (Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione) do Rio de Janeiro. Atende na Rua Guilherme Weege, Numero 202, Sala 407, Edifício Accord Center – em cima do Laboratório Fleming. Os contatos são (47) 3054 0514, 9 9241 3314 ou angela.beuren@gmail.com.