Sentir o coração disparar é um sintoma bastante comum. Isso pode acontecer por vários motivos, tais como emoções, estresse, exercícios físicos e febre. Porém, em alguns casos, pode estar relacionado a um tipo de doença do coração: as arritmias cardíacas.

De acordo com o cardiologista, Saulo da Costa Pereira Fontoura, para compreender o que são as arritmias cardíacas é preciso entender como funciona a regulação do ritmo do coração.

O coração bombeia o sangue para os órgãos, o que é feito mais ou menos rapidamente conforme a necessidade do corpo. Durante um exercício físico vigoroso, por exemplo, sentimos que o coração bate mais rápido.

O mesmo ocorre quando somos submetidos a uma atividade de estresse intensa.

“O corpo entra em estado de alerta e o coração dispara também. Isso faz parte do funcionamento normal do organismo, pois a demanda de oxigênio e nutrientes pelos órgãos aumenta nesses estados e é pelo sangue que eles chegam. Diferentemente, durante o sono, normalmente o coração funciona em um ritmo mais tranquilo, pois o corpo consome menos nutrientes e oxigênio”, explica o especialista.

Porém, se você sentir o coração disparar sem nenhum motivo aparente, deve ficar atento, pois existe a possibilidade de ser uma arritmia cardíaca.

Exame mostra qual a origem da arritmia cardíaca. Foto: Reprodução.

O coração normalmente contrai-se em um tempo e ordem adequadas para a necessidade do corpo e, durante as arritmias, a sincronia, velocidade e força dos batimentos são inadequadas.

Dessa forma, a pessoa com arritmia pode sentir o coração disparar mesmo durante o repouso ou um esforço físico muito leve. Essa percepção desconfortável dos batimentos se chama "palpitação". Além dessas palpitações, quem tem arritmia pode ter mais sintomas, como desmaios, dor no peito, falta de ar, dentre outros.

“Um dos melhores exames para definir se a palpitação é um problema cardíaco ou não é realizar um eletrocardiograma enquanto você senti-la. Como ela pode ser pouco frequente ou de duração muito breve, nem sempre isso é possível. Nesses casos, o ideal é utilizar outras ferramentas diagnosticas que o seu médico pode solicitar”, destaca Fontoura.

Diagnóstico

O diagnóstico de uma arritmia deve ser confirmado por um médico, pois existem vários tipos de arritmia e o tratamento varia conforme o tipo e as características de cada paciente.

Segundo Fontoura, algumas arritmias são muito benignas e exigem apenas o acompanhamento clínico. Já outras arritmias devem ser controladas com o uso de medicações. "Em outros casos, é indicado o implante de marcapassos cardíacos, e boa parte dos pacientes com arritmia podem se beneficiar da Ablação por Radiofrequência", ressalta.

Ele explica que a Ablação por Radiofrequência é um procedimento terapêutico no qual os cateteres são inseridos no paciente através de uma veia e levados até o coração. Esses cateteres possuem sensores, que permitem o diagnóstico da arritmia de forma muito precisa e também identificam a sua localização. Após isso, pode ser realizada a Ablação por Cateter, usando a energia de Radiofrequência nesse local, eliminando o problema.

Esse procedimento deve ser realizado em ambiente hospitalar por uma equipe com treinamento e certificação adequadas. De acordo com o cardiologista, geralmente é preciso de uma internação curta, de um dia para o outro, e o período de repouso pós-operatório de cerca de uma semana. “É considerado um procedimento muito seguro e tem o potencial de melhorar muito a qualidade de vida da pessoa com arritmia”, finaliza Fontoura.

Sobre o especialista

O Dr. Saulo da Costa Pereira Fontoura é especialista em cardiologia, eletrofisiologia invasiva, arritmias e estimulação cardíaca. Ele atende na Cardio Clínica na Rua Artur Muller, 105 - Centro de Jaraguá do Sul. Mais informações no site da Cardio Clínica. Contato: (47) 3371.3247 | (47) 3055.0035. CRM 16733 | RQE 15155.