As aulas do Centro Educacional Dente de Leite foram encerradas na última sexta-feira (15), mas o fechamento da tradicional escola do bairro Czerniewicz ainda é uma incógnita para muitos pais e funcionários.

O comunicado foi dado em cima da hora, com o ano letivo de 2019 já em andamento. Segundo Reginaldo Figueiredo, pai de um aluno de 6 anos, a direção enviou um bilhete no dia 1º deste mês informando que na quarta-feira de cinzas (6) haveria uma reunião para falar sobre o fim das atividades da escola.

No encontro marcado, como conta o pai, apenas um advogado compareceu. "Ele disse que a escola ia fechar e que não iam devolver o dinheiro. Os donos já tinham sumido", relata.

Em janeiro, Figueiredo quitou todas as mensalidades do ano para o filho. O valor pago foi de R$ 10.750. "Era dinheiro da poupança, quis quitar para não ter problemas depois", comenta.

 

Como não conseguiu contato com a direção da Dente de Leite, o pai acionou um advogado para tentar reaver a quantia.

Assim como Figueiredo, Valter Rengel, pai de dois meninos que estudavam na escola, também foi lesado. No fim de 2018, enquanto fazia a matrícula dos filhos, Rengel pagou todas as mensalidades para este ano, uma média de R$ 700 por mês.

"Sabíamos que a escola não estava bem financeiramente, mas não pensamos que fosse fechar. Não falaram nada", conta.

Os filhos de Rengel já estão matriculados em outra unidade. Ele explica que acompanha a escola desde 2002 e acredita que os problemas financeiros começaram a surgir quando a antiga diretora faleceu. "No ano seguinte, penso que em 2010, metade das crianças não foram rematriculadas", aponta.

Segundo professores, mais de 110 alunos, com idade a partir dos quatro meses, até o quinto ano do ensino fundamental, estavam matriculados para 2019.

Pais devem ser ressarcidos, diz Procon

De acordo com a diretora do Procon de Jaraguá do Sul, Samira Abreu Leutprecht, nenhum pai ou funcionário da escola procurou o serviço até o momento. Mesmo assim, a diretora está ciente do caso e garante que os responsáveis pelas crianças matriculadas na escola para este ano devem ser ressarcidos integralmente.

"É uma cobrança indevida, uma das partes não cumpriu com o contrato e não prestou os serviços estabelecidos", destaca.

Samira avalia que, nesta situação, o normal é que a cobrança seja feita pela Justiça, mas os pais ou funcionários também podem procurar o Procon.

"O que podemos fazer é entrar em contato com a empresa que lança esses boletos para tentar cancelar os dos próximos meses, além de notificar o responsável pela escola", completa.

A equipe de reportagem do OCP tentou entrar em contato com a diretora do Centro Educacional Dente de Leite por telefone, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

 

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