O Ministério da Saúde divulgou nesta terça-feira (03) uma lista de 312 cidades brasileiras que estão com a cobertura de vacinação de poliomielite em crianças menores de um ano abaixo de 50%, sendo que a meta deve ser 95%. Pelo menos oito cidades catarinenses estão na lista, entre elas a Capital (confira a lista). A doença que causa paralisia infantil está erradicada desde a década de 1990 no Brasil, mas o Ministério se preocupa com a possível reintrodução da doença no País.

O alerta surgiu após o surto de sarampo, outra doença erradicada desde 2015, no Amazonas e Roraima, no Norte do País. A doença pode ter sido trazida de fora, uma vez que o surto também atingiu a Europa. Há casos registrados no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.

"O risco existe para todos os municípios que estão com coberturas abaixo de 95%. Temos que ter em mente que a vacinação é a única forma de prevenção da Poliomielite e de outras doenças que não circulam mais no país. Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas, conforme esquema de vacinação de rotina e na campanha nacional anual. É uma questão de responsabilidade social”, disse a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI), Carla Domingues.

O Ministério da Saúde já havia disparado alerta para pessoas que pretendem viajar a países considerados de risco e endêmicos para a poliomielite. Agora, reforça o sobreaviso para que tanto as crianças quanto os adultos não vacinados procurem um posto de saúde.

Confira as cidades de SC com baixa cobertura de vacinação

  • Florianópolis: 40,98% de cobertura
  • Palhoça, na Grande Florianópolis: 28,80% de cobertura
  • Anitápolis, na Grande Florianópolis: 39,29% de cobertura
  • Major Gercino, na Grande Florianópolis: 47,22% de cobertura
  • Pedras Grandes, na região Sul: 33,33% de cobertura
  • Pomerode, no Vale do Itajaí: 38,62% de cobertura
  • Cunhataí, no Oeste: 45% de cobertura
  • Palmeira, na Serra: 46,88 de cobertura

Florianópolis contrapõe números do Ministério da Saúde

De acordo com a Vigilância Epidemiológica de Florianópolis, a porcentagem divulgada pelo Ministério da Saúde da Capital não corresponde à realidade. Segundo a gerente Ana Cristina Vidor, existe um problema na migração dos dados entre o MS e a Vigilância Municipal. O mesmo problema já havia sido relatado pela Secretaria Estadual de Saúde em relação ao site que disponibiliza as filas do Sistema Único de Saúde.

Conforme Ana Cristina, a cobertura de vacinação de pólio em crianças menores de um ano foi de 77,7%, em 2017, na Capital. Apesar de não estar tão baixa quanto o dado divulgado pelo órgão federal, a gerente mantém o alerta de preocupação, principalmente para o Leste e Sul da Ilha (leia mais aqui).

Países considerados de risco

Confira os países que são considerados de risco ou endêmicos para poliomielite de acordo com o Ministério da Saúde. Vale destacar que essa relação pode ter atualização constante: Afeganistão, Nigéria, Paquistão, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Guiné Equatorial, Etiópia, Guiné, Iraque, Quênia, República Democrática Popular do Laos, Libéria, Madagascar, Myanmar, Níger, Serra Leoa, Somália, Sudão do Sul, Ucrânia, Síria e República Democrática do Congo.

Sintomas e tratamento da pólio

Conforme o Ministério da Saúde, a poliomielite ou “paralisia infantil” é uma doença infecto-contagiosa viral aguda, caracterizada por um quadro de paralisia flácida, de início súbito. O déficit motor instala-se subitamente e sua evolução, freqüentemente, não ultrapassa três dias.

Acomete em geral membros inferiores, tendo como principal característica a flacidez muscular, com sensibilidade conservada e arreflexia no segmento atingido.

Transmissão

  • Contato direto pessoa a pessoa;
  • Pela via fecal-oral;
  • Por objetos;
  • Alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores;
  • Gotículas de secreções da orofaringe (ao falar, tossir ou espirrar);
  • Falta de saneamento, más condições habitacionais e de higiene são fatores que favorecem a transmissão.

Tratamento

Não existe tratamento específico, todas as vítimas de contágio devem ser hospitalizadas, fazendo tratamento de suporte.

Prevenção

A vacinação é a única forma de prevenção da Poliomielite. Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas conforme esquema de vacinação de rotina e na campanha nacional anual. Confira o esquema de proteção no Calendário Nacional de Vacinação.

 

*Com informações do Ministério da Saúde

 

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