No ano passado, o Hospital Santa Isabel, de Blumenau, realizou o maior número de transplantes de córneas desde que iniciou os procedimentos do tipo em 2000. No total, foram 27 cirurgias efetuadas ao longo de 2019. O transplante pode ser eletivo, como em casos de doenças crônicas, ou em caráter de urgência, quando existe uma infecção que não é controlada por uso de medicamentos. O procedimento também pode ocorrer após acidentes que tenham afetado a córnea.

De acordo com o médico oftalmologista Rodrigo Thiesen Muller, chefe do Serviço de Transplantes de Córneas do Hospital Santa Isabel, o transplante de córneas é indicado às pessoas que não possuem a transparência da córnea, têm alteração na curvatura ou uma doença em uma das camadas da córnea, gerando inchaços.

 

"No caso da transparência da córnea, quando a visão não é corrigida com uso de óculos ou lentes de contato, então o transplante é realizado. Quando um paciente com morte encefálica doa as duas córneas, dois pacientes diferentes podem recebê-las", destaca o médico.

 

Foto Gabriel Silva/Comunicação HSI

O que é a córnea?

É um tecido de formato circular, com aproximadamente 12mm de diâmetro e menos de 1mm de espessura. O tecido, para ser saudável, deve ser totalmente transparente e com uma curvatura adequada para realizar o processo de refração dos raios de luz. “Fazendo uma analogia ao relógio de pulso, a córnea seria o vidro transparente”, esclarece Muller.

Como funciona o transplante e o pós-operatório?

Um transplante de córneas tradicional envolve 16 pontos de sutura, com fios mais finos que um fio de cabelo. O ponto é removido ao longo dos meses seguintes, a partir do segundo ou terceiro mês, chegando a um ano em alguns casos. O paciente usa colírio de corticoesteróide, que diminui as chances de rejeição do tecido. A maioria dos pacientes não faz uso de medicações orais.

 

 

O procedimento, assim como dos demais órgãos, só é possível por meio da doação espontânea, que consiste na autorização dos familiares de um paciente em que foi confirmada a morte encefálica. Feita a autorização, os pacientes que estão na fila de espera por uma córnea são acionados para procedimento cirúrgico de transplante. Diferentemente dos transplantes de órgãos sólidos, o tecido corneano não necessita de compatibilidade entre doador e receptor.

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