No Brasil, há 44.146 pessoas querendo a adoção, de acordo com o CNA (Cadastro Nacional de Adoção), do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Só em Jaraguá do Sul, a fila de pretendentes chega a 200, segundo dados da Vara da Família, Infância e Juventude. Leia mais aqui!

O OCP News foi atrás de histórias de famílias que já passaram pelo processo de adoção e são relatos de emocionar. Confira:

Com a casa e coração preparados

O quartinho já está devidamente organizado. Cama, guarda-roupas e mesa para a hora do estudo. Mais do que o lar, o coração da professora Mayke Bernz e do mecânico Everton Jordas Borchardt também está à espera do filho que ocupará cada canto do quarto especialmente preparado.

A espera, acredita Mayke, deve cessar em breve. Ao lado do companheiro, o processo para que o casal se tornasse pretendente à adoção iniciou em março. Ela conta que o quarto ficou pronto antes mesmo de dar este passo e, no final de junho, o curso de preparação já havia sido concluído.

O perfil escolhido pelo casal foge do padrão que torna as filas extensas. Mayke e Everton optaram por um filho entre 6 e 10 anos de idade, fazendo com que as esperanças de o ter em família em breve sejam maiores.

A adoção é um sonho ainda a ser realizado para a família de Mayke. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

A professora conta que a adoção era um sonho para cada um deles, antes mesmo do casamento, oficializado há um ano.

“É um sonho individual nosso, antes ainda de nos conhecermos. A gente foi focando mais essa ideia nestes quatro anos que estamos juntos”, explica.

Mayke diz que a escolha por uma criança mais velha era algo bastante claro para ela e, mais uma vez, compartilhada pelo companheiro.

“Nunca foi uma afinidade minha, de adotar recém-nascido. Talvez por eu ter ficado órfã de mãe aos 8 anos. Essa escolha eu não quis para mim”, completa.

Além disso, ela afirma que entrar para a fila de adoção e se abrir para ser pai e mãe é estar disposto. Para Mayke, essa disposição é maior do que simplesmente doar seu tempo para um bebê.

“Eu acredito que até aquele questionário, com tantas opções, não deveria existir porque se o casal está ali, precisa estar disposto e aberto”, ressalta.

A apreensão passa longe do fato de escolher a adoção tardia. A preocupação de Mayke é com a adaptação do filho que, ela projeta, esteja em casa para o Natal deste ano.

Para ela, entrar para a fila de adoção e se abrir para ser pai e mãe é estar disposto. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

“A gente nunca está preparada o suficiente, mas a criança que foi para o abrigo também não estava preparada para ser rejeitada, então acredito que vai acontecer tudo naturalmente”, aponta.

Apesar de compreender que o processo pode ser difícil, o planejamento para receber o filho é uma as estratégias para quebrar a barreira.

“Quando entrarmos no processo de adaptação, porque isso vai chegar, e eu acredito que não vai demorar, ali que vai ser mais tenso, porque as afinidades têm que bater. Não se limita a nós gostarmos da criança, o principal é ela. O foco é ela”, complementa.

Assim como Ana, Mayke afirma que se pudesse dar algum conselho para pessoas que, assim como ela, se dispuseram a adotar, o conselho seria o de se abrir para sentir o que as crianças podem fazê-los sentir. “É estar disposto a encontrar, a se apaixonar”, finaliza.

---

Amor à primeira vista

O aniversário de Jaraguá do Sul, no dia 25 de julho, sempre foi coadjuvante na vida de Ana Verônica Hess Stefan e Nelson Stefan. O casal tinha, até 2016, uma data a priorizar: o aniversário de Nelson, que sopra velinhas no mesmo dia que a cidade.

Mas, desde 25 de julho de 2016, a data se tornou ainda mais especial e, além de Nelson, Ana também ganhou um presente e tanto naquela data.

Na praça da igreja em São Joaquim, na serra catarinense, o garotinho de 12 anos foi avistado e reconhecido de longe pelo casal. No momento do encontro e do olho no olho, pais e filho já sabiam que daquele momento em diante, nada os separaria.

“De longe eu conheci, sabia que era ele. Foi um momento mãe e filho, literalmente. Uma emoção muito grande”, conta Ana.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Para Nelson, o aniversariante, o presente mais que especial estava na sua frente e tudo que ele queria era levá-lo para casa. “Na hora, as lágrimas vieram, a emoção foi grande. Da minha parte eu levaria ele naquele momento”, diz.

Para Lucas Maxwell Stefan, hoje com 14 anos, o momento não será esquecido. “Pra mim foi... era tudo o que eu queria, foi bem emocionante, eu gostei e não vou esquecer”, lembra.

Mas até os três se encontrarem foi uma longa jornada de vida. Ana tem 46 anos e é microempreendedora em Jaraguá do Sul. O companheiro, Nelson, tem 54 e é marceneiro aposentado. Max, como gosta e é chamado, tem 14 anos, nasceu e viveu até os 12 anos em São Joaquim.

O primeiro passo foi dado pelo casal que, em novembro de 2015, procurou o Fórum da comarca de Jaraguá do Sul para dar início a todo o processo de adoção. A decisão nasceu de uma vontade mútua de “compartilhar a vida e o amor que nós temos”, ressalta Ana.

Ela conta que o primeiro contato com o Fórum ocorreu em novembro de 2015, quando conversou com a assistente social pela primeira vez e preencheu o perfil desejado.

Até então, o desejo era uma criança de zero a seis anos de idade e o casal foi surpreendido quando o amor à primeira vista foi com um garoto de 12 anos.

“A assistente disse, no primeiro dia de curso, que o objetivo dela era fazer com que mudássemos de ideia, que abríssemos os olhos para outras coisas e aconteceu exatamente dessa maneira”, diz Ana.

Do momento em que o casal iniciou o processo até a chegada de Max em casa, se passaram cerca de oito meses. A foto mostrada a eles no último dia do curso preparatório mexeu tanto com os dois que percorrer mais de 320 quilômetros para encontrar o menino não foi nenhum sacrifício, muito pelo contrário.

Foi através de uma foto que o casal Ana e Nelson Stefan conheceram o filho e contam que foi amor à primeira vista. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

“Ela [a assistente social] mostrou a foto de muitas crianças, muitas com falta de amor, carentes e tudo isso foi o que mais me motivou. Ele era o último, eu olhei e me encantei. Ela disse que ele procurava realmente uma família, ele queria um pai e uma mãe”, conta a mãe.

Família, enfim, completa

Dois anos se passaram desde a tarde em que os pais e o filho sentaram diante do juiz de São Joaquim e retificaram a vontade que já havia sido evidenciada no encontro na praça da cidade. Orgulhosa do filho, Ana não segura as lágrimas quando fala, orgulhosa “meu filho”.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

E a emoção fica ainda mais nítida quando ouve, do filho, o que ele sentiu no momento em que os olhos se cruzaram pela primeira vez.

“Eu senti que eles eram meus pais de verdade. Para mim, complementou um pedaço do meu coração, é tudo, não tem como explicar, é meu pai e minha mãe”, conta enquanto os pequenos braços envolvem a mãe.

A relação é visivelmente de parceria. Abraçado aos pais, Max ouve Nelson afirmar que a vida agora gira em torno dele.

“A experiência é das melhores possíveis. Sem ele hoje, não tem como viver. Para mim a experiência é, sei lá, não tem nem palavras. Tudo mudou na minha vida, hoje eu vivo em função dele, ele completa a família”, ressalta.

Para Nelson, a experiência da adoçã é inexplicável e mudou a vida da família. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Para Ana e Nelson, a adoção transformou a vida. Eles “alertam” os pais a deixarem-se apaixonar.

“Eu sempre falo para as pessoas que não importa idade, cor, nada. O que importa é o sentimento, o sentimento tem que falar mais alto. Tem gente que só de passar e ver nós três juntos, de cara já vê que ele é adotado, mas eu nunca falo que ele é adotado. Ele é meu filho”, finaliza Ana.

-

Quer receber as notícias no WhatsApp?