Tem alguma noção de dança, curiosidade em aprender e vontade de preservar uma tradição que chegou à região do Vale do Itapocu há mais de cem anos? Se a resposta for positiva, você deve conhecer o Norden Tal Volkstanzgruppe. De nome difícil para se pronunciar, ao menos para quem não tem noção do idioma, o grupo de dança folclórica alemã busca resgatar e preservar essa parcela da cultura através de muitos passos e diversão. Formado por 23 integrantes, o Norden Tal se diferencia por envolver os mais novos na preservação de costumes através de um trabalho sério, mas regado por boas risadas e um clima familiar. Conforme o coordenador, Daniel Wischral, essa é uma forma de mostrar para os jovens como a dança folclórica pode ser atraente. “Sempre tem aquela mentalidade de ‘ai, grupo de dança alemã, música folclórica, que chato', mas tem um mundo todo por trás disso. Tem as apresentações, as viagens, amizades com outros grupos, tem o conhecimento sobre folclore, sobre trajes, sobre festas típicas. Sempre que posso, no meio dos ensaios, falo dessas origens e significados para os bailarinos e acaba se tornando também uma aula de história sobre a Alemanha”, conta. Para ele, é preciso passar esses conhecimentos e hábitos para as novas gerações para não deixar que uma cultura tão rica se perca no tempo. “Apresentamos isso de forma descontraída, falando sério, mas também dando risada, para passar o aprendizado sobre a história, trajes típicos e música dos nossos antepassados de forma atrativa, se não perdemos dançarinos”, completa. Wischral conta que o grupo nasceu em 2014 justamente da vontade de preservar e de fazer isso de forma diferenciada. “Quem cedeu lugar para os ensaios foi a Escola Duarte Magalhães e continuamos ensaiando aqui até hoje”, explica. Aliás, a parceria com a escola também facilita a inclusão de novos dançarinos, jovens e adolescentes. “Por ser aqui (na escola) acaba também incentivando os alunos a procurarem conhecer o grupo, por isso a escola se torna uma base para conseguirmos novos membros”, completa.
Formado por 23 integrantes, o Norden Tal se diferencia por envolver os mais novos na preservação de costumes | Foto Divulgação/OCP
Para a dançarina Marcieli Cani, de 27 anos, o mais gratificante é ver o interesse pelos costumes também por pessoas que não têm descendência alemã. “Nós, Dani e eu, crescemos nesse meio, então é mais natural querermos dar continuidade ao que aprendemos desde crianças. Mas tem pessoas no grupo que não cresceram com isso e mesmo assim se interessam”, diz. Ela afirma que para participar não é necessário ser de família de origem alemã, nem há nenhum outro tipo de restrição. “Se tem vontade de dançar e alguma noção, além de querer preservar essa cultura, pode participar. Usamos o grupo como forma de aproximar, não para excluir”, defende.
Marcieli Cani e Daniel Wischral acreditam que a leveza e descontração dos ensaios são uma forma de atrair mais jovens para a dança folclórica | Foto Divulgação/OCP
O Norden Tal ensaia todos os domingos, a partir das 18 horas, na Escola Estadual Professor José Duarte Magalhães. Quem tiver interesse em participar, é só assistir a um ensaio e conversar com os integrantes do grupo. GRUPO SEGUE AS TRADIÇÕES DO EXTREMO NORTE ALEMÃO  Os trajes e cada uma das coreografias e músicas apresentadas pelo Norden Tal tem um significado especial. O coordenador, Daniel Wischral, explica que tudo representa o extremo norte da Alemanha, mais precisamente a região de Schleswig – Holstein. “A maioria dos imigrantes que vieram para Jaraguá do Sul eram do Norte da Alemanha, então a gente quis manter isso. Tanto que nosso traje é do Norte, o nome do grupo também é Vale do Norte, tanto pelo Norte da Alemanha quanto por Jaraguá do Sul estar em um vale no norte de Santa Catarina”, explica. Ele conta que o traje é chamado de Probstei e as músicas também seguem as características da região, levando em conta movimentos, ritmos e até clima. LEIA MAIS: - Amor reforçou em casal o gosto por manter as tradições germânicas - Tradição cervejeira movimenta pelo menos 150 produtores artesanais em Jaraguá - O futuro das tradições nas mãos dos jovens que dão sequência ao tiro esportivo