Nesta quinta-feira (21), é comemorado o Dia Nacional do Imigrante Italiano. A escolha da data foi uma homenagem à expedição de Pietro Tabacchi ao Espírito Santo, que chegou ao Brasil na primeira embarcação que veio da Itália e marcou o inicio do processo de migração em massa dos italianos para o Brasil.

Os primeiros imigrantes italianos vieram ao Brasil fugindo de um período de crise profunda na Itália e na Europa em geral | Foto Divulgação/Internet

Esses imigrantes que chegaram a partir de 1874 formaram uma enorme colônia italiana, com mais de 30 milhões de descendentes espalhados, principalmente nas regiões Sudeste e Sul do Brasil.

A região do Vale do Itapocu hoje é o lar de muitos descentes italianos, em sua maioria, netos e bisnetos de colonizadores que saíram do norte da Itália e se estabeleceram em municípios próximos, como Rio dos Cedros, Rodeio, Luiz Alves, Brusque e Nova Trento entre os anos de 1876 e 1879.

Segundo dados levantados pelo Arquivo Histórico de Jaraguá do Sul, as primeiras famílias italianas que chegaram foram Piazera, Rubini, Demarchi, Pradi, Pedri, Bortolini, Satler, Ropelatto, Mengarda, Picoli, Murara, Giuseppe Murara, Valentini,  Pauli,  Minatti,  Negherbon, Bassani, Stulzer, Piseta, Lenzi, Campregher, Stinghen, Pauli, Bresan.

A Chiesetta Alpina é um monumento que homenageia a fé dos imigrantes | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Em pesquisa realizada em novembro de 2001, dados apontam que 23,9% dos jaraguaenses são descendentes e mantém vivos muitos traços étnicos e culturais, como a religiosidade, cantos, culinária, trajes típicos e o idioma do país.

A dona Terezinha Chiodini é neta de quatro italianos e tenta manter viva a cultura do país em sua família. Para isso, ela gosta de reunir os filhos e netos para apreciar a culinária que trouxe dos seus antepassados.

Ela afirma que sua família chegou da Itália de Navio em Itajaí, mudaram para Luiz Alves e só alguns anos depois vieram para Jaraguá do Sul, onde até hoje tenta manter viva a tradição da família de cantar em corais, fazer jantares tipicamente italianos e tenta ensinar os filhos e netos um pouco do idioma.

“Tenho uma memória afetiva muito grande com as minhas origens, crescer em um ambiente familiar como esse foi uma experiência incrível”, finaliza.

Círculo Italiano

Outra descendente italiana que tenta manter ao máximo as tradições da família é secretária administrativa do Círculo Italiano de Jaraguá do Sul, Eunice Delagnolo.

Ela relembra que um forte aspecto trazido pelos colonizadores é a devoção à Nossa Senhora Aparecida e a religião em geral. “Eles não sabiam o que encontrariam quando chegassem aqui, portanto se apegavam a sua fé”, comenta.

Segundo Eunice, uma das características dessas famílias que descendem desse povo é a fartura na mesa.

“É muito comum chegar na casa de um italiano e encontrar uma mesa farta, pode ser um café da tarde com cuca, uma polenta durante o almoço, uma morcilha, comida nunca falta”, relembra.

 

 

O Circulo Italiano foi fundado em Jaraguá do Sul em novembro de 1991, portanto, os jantares e as reuniões eram feitas em salões da região.

Em março de 2002 o círculo ganhou uma sede e a partir daí os jantares, o coral, as reuniões, o atendimento aos associados e à população em geral passou a ser realizado nesse local.

A entidade também oferece cursos de italiano e orienta as pessoas que querem conseguir a dupla cidadania.

Cidadania italiana

O guaramirense Esmeraldo Chiodini Neto, de 28 anos é descendente italiano e partiu em busca de suas origens aos 15 anos, impulsionado pelo seu avô, Esmeraldo Chiodini, que sempre manteve a cultura italiana presente na família.

“Venho de uma família com tradição italiana bem presente, meu avô foi um dos fundadores da associação italiana de Guaramirim, e por isso ele sempre esteve envolvido nas atividades”, comenta.

Depois de uma busca de quase 10 anos por documentos que comprovassem sua origem, ele finalmente conseguiu encontrar a certidão do seu trisavô que nasceu na Itália, mas ainda havia um empecilho pela frente, precisaria corrigir os documentos, já que muitas dessas pessoas mudaram de nome quando vieram para o Brasil.

Esmeraldo Chiodini Neto e seu avô Esmeraldo Chiodini em almoço durante viagem pela Itália | Foto Arquivo pessoal

“Em 2016, após corrigir a documentação, fui para a Itália com meu avô, ficamos um mês lá, fizemos o processo pra tirar a cidadania italiana e aproveitamos para conhecer o país”.

 

 

Para Neto, a presença cultural italiana foi muito importante em sua criação e está diretamente ligada a identidade da sua família.

“É tão presente no nosso dia a dia, a culinária, o jeito de se portar, de falar, as manias. Meu avô toma vinho todo dia, faz polenta no fim de semana, por mais que as gerações passaram e a gente não tem mais esse contexto de viver na Itália, isso é muito forte”.

A polenta é um dos pratos italianos mais lembrados pelos descendentes | Foto Divulgação/Internet

Atualmente, Neto é advogado e vive em Londres, mas visita a Itália sempre que possível, já que conseguiu a dupla cidadania, o que fornece o direito de morar e trabalhar em qualquer país da União Europeia.

“A questão principal da dupla cidadania é abrir as portas para toda a união europeia, é uma volta a origem europeia como comunidade”, finaliza.

Comemoração

Para comemorar o Dia do Imigrante Italiano, o Circulo Italiano de Jaraguá do Sul realiza um jantar na próxima sexta-feira (22).

Para adquirir os ingressos, basta entrar em contato no telefone (47) 3370-8636. A entrada para o jantar custa R$ 35.

 

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