Foto Eduardo Montecino/OCP News
Foto Eduardo Montecino/OCP News

O mercado de startups - empresas de inovação tecnológica com potencial para crescimento indeterminado - tem crescido vertiginosamente.: o Brasil já conta com mais de 10 mil negócios nesse modelo, segundo levantamento da Associação Brasileira de Startups (Abstartups).

O investimento em empresas de tecnologia abunda tanto nos setores de serviços quanto para a indústria.

Segundo cálculos da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), até 2028, 15% das corporações nacionais devem atuar baseadas na Indústria 4.0 - expressão que engloba tecnologias para automação e troca de dados e utiliza conceitos como conexão de equipamentos diretamente com a rede e computação em nuvem.

No entanto, o segmento é marcado por incertezas e dificuldades: pouco mais de um quarto destas empresas sobrevivem além do seu primeiro ano, e muitas gigantes do setor seguem vivendo de mercado especulativo, sem previsão de lucro real.

 

 

A exemplo está a gigante do setor de transportes Uber, que em seu pedido de abertura de capital informou que suas despesas operacionais seguem abaixo do faturamento por tempo indeterminado.

Mas algumas empresas, aproveitando nichos pouco explorados ou oferecendo serviços de forma diferenciada, têm encontrado estabilidade no setor - a exemplo das jaraguaenses Clinicorp, com crescimento acelerado; da Upflux, em processo de tração da marca; e Molde.me, com nome e  segurança estabelecidos apesar de ainda estar em estágio de aceleração.

Clinicorp: crescimento de mais 1.000%

Um dos mais promissores projetos recentes da cena das startups de Jaraguá do Sul é a Clinicorp, uma fintech - companhia que associa os serviços financeiros e as novas tecnologias, no caso da jaraguaense o trabalho é oferecido para clínicas de saúde.

A empresa foi fundada em 2016 pelo analista de sistemas Luiz de Souza e o dentista Caio Carinhena - e no ano passado, passou por sua primeira rodada de investimentos externos.

Agora, em 2019, Carinhena e de Souza projetam uma nova rodada de investimentos externos - com a projeção do aporte de R$ 5 milhões para ampliar os serviços.

"Tivemos um crescimento de cerca de 1.000% no ano passado, e seguimos crescendo na ordem de dois dígitos ao mês este ano", explica.

Somente entre maio de 2017 e março de 2018, a empresa registrou faturamento de R$ 1,8 milhão.

Em 2018, quando passava por aceleração, a empresa foi case do OCP. Tinha então três funcionários - Carinhena, de Souza e um sócio - e pouco mais de 200 clientes. Agora, tem mais  de 30 funcionários em quatro setores e mais de dois mil clientes.

"Nós passamos por muitos desafios nessa jornada de crescimento, aprendemos muito com as necessidades dos clientes", nota Carinhena.

No início, os serviços da Clinicorp eram voltados exclusivamente para a área odontológica, mas em 2018 foram ampliados para a área de estética e para escolas de pós graduação na área odontológica, que precisam de sistemas para gerir a parte clínica, explica de Souza.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Segundo a dupla, a entrada nesses mercados oferecem novos desafios.

"São necessidades parecidas, mas tem muitas coisas que são diferentes de um setor para outro, e temos sempre que prestar atenção no feedback dos clientes. Do que ele precisa? Com o que está insatisfeito?", avalia de Souza.

Já três anos, a empresa surgiu depois que  de Souza retornou de um período trabalhado com startups no Vale do Silício e buscou aplicar a experiência em resposta a um problema encarado por profissionais da área odontológica: trabalhar a parte administrativa da clínica, tarefa que consome tempo de atendimento.

Pela plataforma, o profissional pode fazer agendamentos, cobranças, emitir boletos, verificar que pacientes estão inadimplentes, diagnóstico digital, tudo isso ajuda a gerenciar o tempo e diminuir a carga com essas tarefas.

O serviço também oferece um app para os clientes, através do qual o paciente pode ver suas consultas, exames e agendar seus pagamentos.

"Como empresa, aprendemos nesse tempo que são duas coisas que são essenciais: o cliente e os funcionários. Se não estamos agregando nada para os dois, estamos fazendo algo errado", diz Carinhena.

UpFlux: tração, programas de gestão e crescimento

Outra startup de destaque nascida na região - e hoje sediada em Joinville, no Inova Park - é a Upflux, que tem entre seus sócios-fundadores o empresário jaraguaense Alex Meincheim, em parceria com Cleiton dos Santos Garcia e Edson Emílio Scarabin.

A plataforma, voltada para gestão de processos e correção de erros em serviços de saúde, usa conceitos de inteligência artificial e análise de dados para aumentar a eficiência dos serviços.

"Estamos em fase de tração, buscando crescimento do nosso portfólio de clientes. Também estamos desenvolvendo novos parceiros para ampliar os canais de vendas e consultoria para acelerar o alcance ao mercado", explica o empresário.

No mês passado, a empresa foi premiada no Programa de Jornada de Empreendedorismo, Desenvolvimento e Inovação (JEDI).

 

 

O projeto surgiu como parte do doutorado de Meincheim, então sob o nome Smart Proccess, sendo aprovado no programa Sinapse da Inovação, do governo do Estado.

Com recursos de fomento a inovação, a ideia foi ganhando forma antes de se  consolidar na forma da Upflux Advanced Analytics, com foco no setor de saúde.

"O objetivo da UpFlux é sempre aumentar a eficiência operacional dos processos, identificar ineficiências (tempo, recurso, custo), reconhecer falhas de qualidade (retrabalho, desvios), e mapear as melhores práticas", explica Meincheim.

Em fase de tração e fortalecimento da marca, a empresa foi escolhida para participar de dois programas de aceleração e fortalecimento de startups - o projeto Startup SC, do Sebrae Santa Catarina, entre os 50 projetos selecionados de 376 inscritos,  e o InovAtiva Brasil, entre as 105 selecionadas das 700 startups inscritas.

"Além das metas de crescimento, temos com propósito a contribuição social de melhorar a qualidade da atenção à saúde e segurança dos pacientes", pontua o jaraguaense.

Como muitas startups, a empresa almeja mercados externos - o site da Upflux já conta com opções em inglês e espanhol -, mas a internacionalização plena ainda é um plano futuro.

"Já temos clientes e prospects com operações em países no exterior. Porém, atualmente nossa operação está concentrada no mercado nacional com plano de internacionalização previsto para 2021", explica Meincheim.

Molde.me: facilitando a vida de modelistas

Enquanto a Clinicorp e a UpFlux já alcançaram a independência e entraram em processo de tração, outra startup promissora se encontra no limite entre a aceleração e o processo de tração da marca.

Trata-se da Molde.me, plataforma de software para modelistas em moda, criada pela jaraguaense Tyara Nascimento em 2017. A empresa foi formalmente constituída em 2018.

Em pouco tempo a startup já teve destaque: participou do São Paulo Fashion Week, tem clientes em São Paulo e em Minas Gerais, ambições para a internacionalização e, na próxima semana, deve participar de um evento voltado aos alunos da Católica de Santa Catarina.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Em parceria com a Unisul Florianópolis, a solução também será utilizada nas aulas de modelagem oferecidas pela instituição a partir deste semestre.

Também operando em nuvem, a plataforma da Molde.me oferece uma alternativa para o processo de modelagem têxtil.

Cerca de 66% das microempresas optam pela tradicional modelagem manual, com papel, lápis e réguas, e 24% das empresas terceirizam o processo.

Por isso, a marca investiu em uma plataforma para resolver grande parte dessas dificuldades, através de um programa de CAD (Computer Assisted Design) em nuvem.

Segundo Tyara, o conceito surgiu ao notar as dificuldades com o trabalho - e com o acesso as plataformas digitais para este processo.

"O nosso diferencial mesmo é que nós somos mais acessíveis, enquanto outros programas cobram a licença de uso, que é bem cara, nós cobramos mensalidade, com dois planos, um mais barato, para estudantes, e outro para empresas", explica.

A licença anual dos programas de CAD da Autodesk, líder no setor, custa US$ 1,680 mil por usuário.

A mensalidade para estudantes e freelancers da Molde.me sai entre R$ 99 e R$ 69 - o desconto é para quem assine um semestre por vez. Para empresas, sai entre R$ 299 e R$ 199 mês.

Ferramentas CAD diminuem o tempo destinado ao trabalho, transformando, em poucos segundos, imagens em moldes com gradações e encaixes perfeitos, dispensando o retrabalho e o desperdício de materiais.

"Na modelagem manual, entre criação, gradação e encaixe, são necessárias cerca de oito a 10 horas de trabalho. Já na plataforma, tudo isso leva menos de 60 minutos", destaca Tyara.

Outro diferencial é a economia. No encaixe manual, o desperdício de tecido, que soma até 60% do custo total de uma peça, pode chegar a 20% - com a precisão oferecida por programas CAD, este desperdício é altamente reduzido, nota a CEO.

 

 

Quer receber as notícias no WhatsApp?