A história de vida do consultor empresarial e advogado Alidor Lueders e da gigante dos motores elétricos WEG estão profundamente ligadas.

Atuando na empresa por 39 anos, começando como na gerência do recém fundado departamento de auditoria interna e jurídico, Lueders conta a história da estruturação da WEG e seu papel neste processo no livro "Estruturar, Condição para Crescer", lançado nesta segunda-feira.

Quando ele entrou começou essa jornada profissional, em 1971, a empresa se preparava para abrir seu capital e contava com cerca de 400 funcionários. Quando ele saiu de lá, em 2010, eram 23 mil funcionários - total maior do que a população de Jaraguá em 1961, quando a empresa abriu "com o capital equivalente a três fusquinhas".

Eram então cerca de 20 mil habitantes na cidade, e US$ 12 mil no capital dos três fundadores, Eggon João da Silva, Werner Ricardo Voigt e Geraldo Werninghaus. Hoje, o valor de mercado da empresa soma R$ 36,32 bilhões - cerca de US$ 10,22 bilhões - e a empresa conta com mais de 30 mil funcionários.

Investimentos e estruturação

A estruturação financeira e de pessoal foi fundamental para este crescimento, conta Lueders.

"Essa estruturação passa pelo financeiro, pelo investimento em tecnologia e pela capacitação de pessoal. Uma empresa só pode crescer se tiver gente, e a WEG sempre investiu no desenvolvimento de pessoas e na formação de líderes", explica, destacando que esse trabalho nos recursos humanos da empresa ajudou a resolver problemas que poderiam vir com a sucessão nos cargos de chefia.

Fotos: Eduardo Montecino/OCP News

Lueders destaca a mentalidade de Eggon João da Silva e sua importância na estruturação da WEG. De acordo com ele, enquanto outras empresas faziam o possível para manter seus processos "em sigilo", a WEG sempre primou pela transparência.

Tampouco Eggon temia perder funcionários para outras empresas. "A mentalidade dele sempre foi de que quanto mais as outras empresas crescerem, mais a WEG irá crescer, pois sem as outras empresas, não teríamos para quem vender", explica.

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Ele destaca também que o empresário vivia a buscar novos conceitos para aplicar na empresa. "O Eggon era um leitor voraz, lia livros, jornais, legislação, e tudo que ele lia ele buscava como aplicar isso na empresa", conta, destacando uma anedota.

"Um dia ele chegou na minha sala com tudo que tinha de legislação e disse: 'Toma, Alidor, você cuida disso que eu não vou ler mais', mas ele continuou lendo e me chamando para discutir como abordar essas questões".

Longa parceria

Antes de trabalhar na WEG, por indicação do irmão, Lueders trabalhou em uma empresa de tipografia, onde começou aos 14 anos, em um escritório de contabilidade, que o preparou para o trabalho que faria na multinacional, serviu nas forças armadas, trabalhou na Hering e em uma loja de equipamentos agrícolas.

Ao entrar na WEG, em 1971, aos 23 anos, estava no último ano de direito e não planejava ficar na empresa. "Esse foi o meu quinto emprego, na época eu pretendia ficar dois ou três anos e então abrir meu escritório de advocacia. Mas os desafios constantes e cada vez maiores me deram propósito no que eu fazia", conta.

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Na WEG, trabalhou na produção de manuais de políticas e de procedimentos, padronizando e estruturando o trabalho da empresa, atuou na implementação de sistemas integrados de informática e em aquisições e fusões durante o processo de diversificação e crescimento da empresa.

"Quando o Baumer (Gerd Edgar, hoje executivo do grupo Marisol) entrou na WEG, em 1974, ele me perguntou o que eu fazia na empresa. Eu disse que resolvia problemas, e ele me respondeu que eu só estava apagando incêndio, não estava fazendo nada. Ele queria saber o que eu agregava para a WEG. Desta conversa veio a ideia de preparar estes manuais e resolver os problemas na raiz", conta.

Hoje, Lueders segue atuando como consultor de negócios para várias empresas da região e faz parte do conselho financeiro. Além de sua vivência na WEG e a longa história do crescimento da maior empresa de Jaraguá do Sul, o livro conta também com artigos que Lueders escreveu para O Correio do Povo - experiência que diz ter sido essencial para ajudar a escrever o livro.

"Eu sempre gostei de escrever, mas acho que sem estes artigos, não teria o material para, agora, escrever um livro deste porte", conta, destacando que esse trabalho lhe deu a oportunidade de expor parte dos conhecimentos que desenvolveu na WEG e compartilhá-los com o empresariado.