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Na casa dos outros é mais fácil?

Projeto: BFE Interiores

Por: Marie Nasario Bernstein

30/10/2026 - 10:10 - Atualizada em: 30/10/2026 - 10:16

“Nossa, sua casa nova deve ser linda, né? Você é arquiteta e ainda trabalha com marcenaria? Que sonho!”

Essa costuma ser a reação quando conto minha profissão. Mas pensar em um projeto é muito mais complexo do que parece. Sou arquiteta e designer de produtos, mas ergonomia, engenharia dos materiais, projetos executivos e enigmas de projeto sempre me atraíram muito mais do que simplesmente ver ambientes bonitos.

Fazia anos que eu não projetava, mas precisei ativar o modo arquiteta depois de noivar e começar a pensar no nosso primeiro apartamento juntos. O espaço era pequeno e não tínhamos muitas opções. Começamos escolhendo as cores e quais paredes pintaríamos — decisões que também determinaram as cores dos móveis. Minha missão era fazer caber tudo: eletrodomésticos, cama e mesa, e ainda deixar tudo bonito. Afinal, sabíamos que seria provisório.

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O projeto foi um sucesso: o apartamento ficou uma graça, moramos nele por apenas oito meses e o vendemos em uma semana. Na mudança seguinte, restaram roupas e poucos eletrodomésticos.

Dessa vez, o básico já não era suficiente. Inspirado pelo sucesso da venda, meu marido me intimou: “Vamos reformar! O espaço é ótimo, mas precisamos melhorar a funcionalidade. Você vai fazer nosso projeto, sim! Você é muito boa nisso, faz isso todos os dias!”

Confesso que já nem sabia por onde começar. Fazia mais de cinco anos que eu não desenvolvia um projeto completo, envolvendo reforma, obra e criação. Comecei medindo o apartamento, passei tudo para o programa 2D e fui estudar o layout. Juro que fiz mais de dez versões para a sala e a cozinha. Que sofrimento! Quebra ou não quebra a parede da área de serviço? Muda ou não a posição da mesa? O que fazer com tantas vigas aparentes?

Depois de muita procrastinação e insistência, mudei a estratégia. Peguei o computador da empresa e fui para o programa 3D. Não estava conseguindo resolver tudo olhando apenas para a planta, justamente o método que sempre achei que funcionaria melhor. Depois de muito testar e alterar, chegamos a um layout que funciona e contempla quase todas as nossas necessidades. Agora temos um projeto para orçar e decidir se seguimos ou ajustamos alguma coisa.

Mas não basta estar bonito e bem resolvido. Conheço o mercado, sei especificar materiais e escolhi algumas das melhores ferragens disponíveis para esse segmento. Daí você já imagina, né? O orçamento ficou bem diferente da expectativa do cliente — no caso, meu marido! É uma situação que vemos todos os dias na marcenaria: o projeto é lindo, mas o cliente queria gastar 20% menos, sem mudar uma linha sequer. E aí, como faz?

Dos outros eu não sei, mas já estou fazendo meu cofrinho. Afinal, sonhei alto e agora preciso pagar o pedreiro para quebrar a parede, refazer o piso, o gesso e todo o projeto de iluminação… e nem sei o que mais vai aparecer pelo caminho.

Quem sabe conto por aqui as surpresas que ainda vou encontrar nessa reforma!

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Marie Nasario Bernstein

Arquiteta e designer de interiores, mais de 12 anos de atuação na Projemóveis, marcenaria high end de Jaraguá do Sul.