Priscila Zat – Especialista em Investimentos, CEA
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Sabemos que nesse ano haverá volatilidade e poeira no caminho do mercado financeiro, com eleições no Brasil, debates fiscais e desafios externos ainda desconhecidos. Mas a travessia por um ano econômico nunca pede garantias, e sim lucidez, coragem e movimento. A partir desse ponto, entender o papel da Selic se torna ainda mais relevante para o investidor que deseja navegar com mais perícia por um cenário em flutuação.
A Selic é a referência que organiza o ritmo da economia brasileira. Ela nasce como taxa básica e guia as demais. Financiamentos, empréstimos, investimentos e até a avaliação de riscos das empresas derivam dela. Quando o Banco Central ajusta a Selic, está movendo as engrenagens que influenciam consumo, crédito, preços, produção e o humor dos mercados. Para quem investe, compreender esse movimento é compreender o clima que orienta onde e como alocar recursos.
Ainda em dezembro de 2025, o Copom, o Comitê de Política Monetária, manteve a taxa básica de juros nacional em 15% ao ano, dentro do que o mercado já esperava. Com a inflação convergindo, a nova discussão gira em torno do início do ciclo de queda no primeiro trimestre deste ano.
Quando a Selic permanece elevada para conter a inflação, o dinheiro fica mais caro e a atividade econômica desacelera. Nesse ambiente, a renda fixa ganha protagonismo, já que títulos públicos passam a oferecer retornos mais atraentes com risco menor. Não é à toa que muitos investidores reforçaram posições em papéis atrelados à Selic ao longo do ano passado, aproveitando a combinação de juros altos e volatilidade global. É o tipo de cenário em que previsibilidade e segurança se tornam valiosas.
Por outro lado, quando a expectativa passa a ser de queda da Selic, como começa a se desenhar para 2026, o mapa muda. Empresas tendem a encontrar crédito mais barato, o consumo responde de forma gradual e o mercado de ações começa a atrair quem busca oportunidades de crescimento. Essa transição entre ciclos costuma abrir portas para revisões estratégicas, rebalanceamentos de carteira e novas possibilidades de diversificação.
Em todos os cenários, a Selic funciona como bússola. Ela ajuda o investidor a avaliar o momento de aumentar exposição em renda variável, reforçar posições em renda fixa pós ou prefixada, revisar objetivos de longo prazo e criar estratégias mais adequadas ao ambiente econômico. O ponto central não é prever o futuro, mas reconhecer como as condições de hoje influenciam as escolhas de amanhã.
No dia a dia, a Selic também orienta decisões práticas. Ela é termômetro para comparar taxas de financiamento, verificar se um crédito faz sentido, entender o custo real do dinheiro e analisar a relação entre risco e retorno nos investimentos. Uma carteira bem construída leva tudo isso em consideração e combina diferentes classes de ativos de acordo com o ciclo econômico.
Na Warren, reforçamos que investir não é sobre adivinhar movimentos do mercado, e sim sobre construir caminhos sólidos por onde se caminhar. E à medida que o ano avança, o Brasil entra novamente em uma temporada de debates e incertezas, mas também de oportunidades. Nossos especialistas estão prontos para ajudar você a escolher a melhor estratégia para ver suas decisões financeiras se tornarem passos consistentes, em prol das conquistas para o seu amanhã. Juntos, podemos transformar cenário em direção e expectativa em resultado.