Texto escrito por Layon Dalcanali, Planejador Financeiro CFP da Warren

Já pensou se todos os dias das nossas vidas fossem exatamente iguais? Mesma rotina, mesmas tarefas e acontecimentos, comer a mesma coisa todo dia. Não sei se suportaríamos isso por muito tempo, afinal, nossa liberdade, os altos e baixos da vida nos motivam a viver. Nós fomos criados para conviver com a volatilidade.

Quando se trata de volatilidade nos investimentos, há quem a ame, mas também há quem não a suporte. Fato é que, em tempos de juros baixos, não há alternativa: é necessário cada vez mais entender a dinâmica da volatilidade e aprender a lidar com ela. Assim que você aprende a usá-la a seu favor, a volatilidade pode se tornar uma excelente aliada aos seus investimentos.

Mas uma distinção importante precisa ser feita: volatilidade e risco, apesar de terem uma certa relação, são coisas diferentes. Para entendermos essa diferença, vou usar como exemplo duas aplicações de renda fixa. Uma debênture com marcação na curva e um tesouro inflação 2045, comprado pelo tesouro direto.

Ao comprar um título público federal, você está aplicando em um dos investimentos mais seguros do país, pois o governo federal garante essa aplicação, ou seja, se você esperar até o vencimento, irá receber exatamente a taxa contratada mais o principal. Porém, antes do vencimento, esse título irá sofrer diariamente variações em seu preço, positivas ou negativas, ou seja, é um investimento de baixíssimo risco, porém com alta volatilidade.

Já a debênture marcada na curva apresenta uma baixa volatilidade, pois o principal será corrigido pela taxa contratada. Mesmo assim, é um título de altíssimo risco, já que, quando você compra uma debênture, não há garantia: você está emprestando dinheiro para uma empresa e, se essa empresa quebrar, você perde o que investiu. Outro risco envolvido é a baixa liquidez, que acontece quando não há comprador para o preço atual ao tentar vender o título.

Mas e então, como se beneficiar da volatilidade? Aproveitando as oportunidades e distorções que ela causa! Um exemplo disso foi no início da crise do coronavírus, em março de 2020, em que muitas empresas tiveram variações negativas de suas cotações em mais de -50% na Bolsa. Neste momento, quem manteve a calma e usou a volatilidade a seu favor, aproveitou a oportunidade para comprar barato ações de empresas de alta qualidade.

A diferença entre o remédio e o veneno é o tamanho da dose. O mesmo vale para volatilidade. Não existe fórmula pronta, o tamanho da dose dependerá de muitos fatores, principalmente do seu perfil de investidor, momento de vida, objetivos e o tamanho da variação que lhe incomoda.

Uma coisa é certa: assim como a vida, a volatilidade terá altos e baixos, mas se você tiver disciplina, paciência e visão de longo prazo, poderá aproveitar excelentes oportunidades. Bons negócios!

Layon Dalcanali. Contato: layon.dalcanali@warren.com.br. | warren.com.br