As corretoras de investimentos passaram os últimos anos batendo na forma como os bancos atuam. De fato, as corretoras trouxeram ao mercado algo completamente disruptivo, em um conceito de “shopping center financeiro”, que oferece aos clientes oportunidades de investir em ativos que nunca tiveram ao seu alcance nas prateleiras dos bancos.

Mesmo com essa evolução, a realidade do Brasil ainda está longe de ser parecida com a de mercados mais maduros, como nos EUA e na Europa. Por lá, 95% dos recursos investidos já estão fora dos grandes bancos. Outra diferença é que, no Brasil, o conflito de interesses ainda é a realidade em muitas instituições, tanto em bancos como em corretoras.

Atualmente, o modelo que é utilizado pelos bancos e pela maioria das corretoras é o modelo de comissões, que remunera os profissionais do mercado pela venda de produtos. Como cada um dos produtos oferecidos no mercado financeiro têm comissões diferentes, você pode receber a indicação
de um investimento que não é o melhor para você, mas sim para quem está lhe indicando o produto.

Muitos acreditam que o conflito vem do profissional que te atende. No entanto, o conflito não mora nesses profissionais, mas sim no modelo de incentivos das instituições onde eles atuam.

Muitas vezes, essas comissões são pagas “na cabeça”, o que quer dizer que toda comissão é antecipada no momento da aplicação. Também é muito comum vermos bancos e corretoras oferecendo “oportunidades imperdíveis” com data para acabar e que forçam o investidor a tomar uma decisão sem pensar muito.

E qual é o modelo ideal, sem conflito? Na Inglaterra, por exemplo, o modelo de comissão foi banido em 2012. Nos EUA, 70% dos investidores já aderiram a profissionais que operam no modelo fee-based, mais transparente e alinhado aos interesses dos clientes.

Fee-based é o modelo em que o profissional é contratado pelo investidor e recebe uma taxa fixa anual, independentemente de onde o recurso é aplicado. Caso haja alguma comissão, ela é repassada para o cliente. Desta forma, as sugestões de investimentos são pautadas de acordo com os objetivos de cada um. O profissional só tem um aumento de receita se ele fizer o patrimônio do seu cliente crescer.

Neste contexto, desde 14 de julho entrou em vigor uma norma da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) que traz mais transparência ao mercado. A regra estabelece diretrizes para que as instituições financeiras passem a informar aos investidores se recebem comissão na distribuição e recomendação de produtos.

A norma representa um ganho ao investidor, que conquista o direito de questionar e desvendar um dos segredos mais bem guardados do mercado até agora.

Antes de encerrar, dedico essa coluna à minha sócia na Warren, Daiane Mohr, que também é colunista por aqui. Tive o privilégio de substituí-la nessa matéria por conta do nascimento do seu filho, Gabriel. Parabéns, Daiane!

Jhonatan Hornburg, Analista de Relacionamento na Warren. E-mail jhonatan.hornburg@warren.com.br