Texto escrito por Ana Kamila, planejadora financeira CFP

O mercado financeiro está cada vez mais sofisticado para o investidor comum. Munido de informação de qualidade e conhecimento dos próprios objetivos, o brasileiro hoje tem em suas mãos a possibilidade de fazer ótimas escolhas para a evolução do patrimônio.

Em outubro deste ano, a CVM passou a permitir que todos os investidores tenham acesso a negociação de BDRs na Bolsa Brasileira, uma categoria de investimentos que antes era restrita a investidores qualificados, aqueles já com mais de 1 milhão de reais em investimentos financeiros.

Mas afinal, o que são BDRs?

BDR é a sigla para Brazilian Depositary Receipts, que é o recibo de uma ação negociada nas Bolsas de Valores norte-americanas. Ao adquirir um BDR da Apple, por exemplo, você está adquirindo um certificado que atesta a posse de um ativo custodiado nos Estados Unidos, ou seja, a ação da empresa em questão.

Nesta modalidade, o investidor compra indiretamente a ação, adquirindo um investimento que espelha a performance da ação da empresa estrangeira.

Com isso em mente, vale a pena investir em BDRs?

Se estiver de acordo com o seu perfil, a resposta é sim! Os BDRs não dão ao investidor todos os direitos que um acionista tem quando adquire as ações diretamente, mas trazem o importante efeito de diversificação para a sua carteira de investimentos.

A diversificação que um BDRs possibilita está presente em diversos aspectos, sendo a distribuição
geográfica um dos mais fundamentais. Ao investir em empresas que estão situadas em outros países, o investidor não depende apenas do crescimento de um determinado setor no Brasil.

As maiores empresas do mundo, como Google, Amazon, Netflix, Nike, entre tantas outras, estão situadas lá fora - e tenho certeza que você já utiliza os serviços ou os produtos de pelo menos uma dessas gigantes.

Outro ponto importante é a diversificação do seu capital em outra moeda, pois as empresas continuam sendo negociadas na sua moeda origem, neste caso, o dólar.

Este efeito pode potencializar a valorização ou a queda do BDR no Brasil, sendo capaz até mesmo de neutralizar a variação do preço em um cenário onde a ação da empresa está caindo nos EUA e o dólar está subindo frente ao real no Brasil.

Não podemos esquecer que investir em BDRs é investir em empresas. Isso significa que, para fazer a escolha certa, este investimento exige uma análise de longo prazo e um perfil tolerante a variações de mercado. Além da possibilidade de compra e venda de BDRs, hoje no Brasil existem diversos fundos de investimentos que aplicam seu patrimônio nesta categoria.

Na hora de investir em qualquer tipo de produto, outro ponto de atenção é a liquidez, ou seja, a capacidade de “liquidar” o investimento em dinheiro.

O mercado de BDRs até pouco tempo possuía uma liquidez baixa, já que as negociações estavam limitadas a investidores qualificados, fazendo com que as maiores transações ocorressem apenas através de fundos de investimentos. Com o acesso liberado para todos os investidores, as negociações aumentam e, com elas, aumenta a liquidez. Ponto positivo!

Se você se interessa pelo mercado de renda variável, talvez esteja se perguntando: o que é melhor, investir em BDRs ou comprar ações diretamente no exterior? Ao comprar ações diretamente lá fora, você precisa estar ciente da complexidade em obter investimentos do exterior, como a declaração e o recolhimentos dos impostos, além da remessa do recurso via câmbio.

Já no caso dos BDRs, a negociação é mais simples e acontece através de uma corretora de valores, ou seja, compra e venda são semelhantes àquelas feitas com uma ação listada no Brasil.

O recolhimento de imposto sobre o ganho de capital é de 15%, assim como nas ações brasileiras, mas não se enquadra a isenção do imposto de renda para vendas em até R$ 20 mil ao mês.

Independente do investimento que você escolher, o mais importante é se munir de informação suficiente para ter confiança de que está fazendo a escolha certa. Com o foco no longo prazo e a atenção ao mercado, os BDRs podem ser grandes aliados à estratégia do seu patrimônio.

Ana Kamila, planejadora financeira CFP. Contato: ana.casagrande@warren.com.br