Os telefones celulares se tornaram parte integrante da vida cotidiana das pessoas, já que a maioria delas não sai de casa sem seu smartphone no bolso. No entanto, o uso excessivo desses aparelhos tem causado tanta dependência, que as pessoas não conseguem imaginar um mundo sem a existência dessa “maravilha” tecnológica.

No contexto atual, a necessidade frenética da utilização dos smartphones cria um potencial que afeta gravemente a produtividade diária, os relacionamentos, a saúde mental e gera riscos para a saúde física. Um dos principais riscos está associado ao desenvolvimento de uma síndrome denominada “pescoço tecnológico”, que ocorre por conta do uso prolongado do aparelho portátil em postura inadequada.

O termo “tech neck” (pescoço tecnológico) foi usado, pela primeira vez, em 2014, pelo Dr. Ken Hansraj, chefe de cirurgia do Centro Médico de Cirurgia Espinhal e Reabilitação de Nova Iorque, que publicou um artigo na Biblioteca Nacional da Medicina nos Estados Unidos no qual avaliou o efeito da postura e posição da cabeça na coluna cervical e as alterações causadas por estas quando as pessoas utilizam o aparelho celular.

Ao se abaixar para mexer no smartphone, a cabeça fica em um ângulo de 60 graus, o que faz com que o peso dela aumente, ocasionando também outros danos no pescoço e na coluna. Hoje, estima-se que uma pessoa passe de duas a quatro horas por dia na frente desses dispositivos com a postura inadequada.

Em curto prazo, esse vício de postura provoca dores musculares. Porém, o excesso de tempo nessa mesma posição, por dia e a longo prazo, pode acelerar processos degenerativos, gerando, em alguns casos, hérnias de disco precoces, por exemplo.

Em vista disso, atitudes simples, como trazer o aparelho celular com o centro da tela até a altura dos olhos, são fundamentais para prevenir lesões associadas à má postura e ao atual pescoço tecnológico. Além disso, libertar-se dos smartphones por algumas horas do dia, prestando mais atenção no que há ao redor, usufruindo de conversas presenciais com amigos e familiares, previnem “lesões” emocionais e sociais.

Em suma, o mundo atual humanizou a tecnologia e a deixou na palma das mãos, o que é algo fantástico e sem volta. No entanto, o uso consciente dos smartphones com o direcionamento correto, tanto para as atividades propostas quanto para a “direção do aparelho” na altura dos olhos são pontos fundamentais para o equilíbrio da saúde física e mental de uma sociedade tecnológica.

Cassia Toledo Storti

Fisioterapeuta e Mestre em Ciências da Saúde. Coordenadora do Curso de Fisioterapia da UniSociesc.