Pensar o ser humano em seu habitat e a forma como se relaciona com o meio em que vive tem sido objeto de estudo de autores das mais diversas áreas do conhecimento ao longo de toda a história da humanidade, não sendo diferente nos estudos sobre saúde mental.

Esse tema ganhou maior importância a partir da Revolução Francesa, com seus ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, mas que tinha na loucura um de seus empecilhos para o processo de organização social.

Essa relação remete ao questionamento: qual o lugar da loucura, ou melhor dizendo, qual o lugar dos portadores de sofrimento psíquico em nossa sociedade? Como pensar formas de inclusão e reinserção social?

No último dia 10 de outubro comemorou-se, sem muito alarde, o Dia Mundial da Saúde Mental. Mesmo com os avanços proporcionados pelas políticas públicas, observa-se que o tema ainda permanece como algo "obsceno", ou seja, que deve permanecer "fora de cena", visto a quase ausência de divulgação quanto à data em questão.

Mesmo com as conquistas promovidas pela Reforma Psiquiátrica, é inegável o ‘desejo de manicômio’, isto é, o movimento para se institucionalizar o sofrimento mental longe das vistas da sociedade. Não que a internação não seja um recurso terapêutico, mas não se deve enxergá-la como única opção ou como a intervenção final, quando todas as outras falharam.

A internação, como em qualquer enfermidade, deve ser compreendida como parte do processo de cuidado, que se dá principalmente no local de vivência da pessoa, junto à sua rede social de apoio.

O processo de Reforma Psiquiátrica e suas estratégias possuem ligação direta com o planejamento territorial urbano e a perspectiva de regionalização, pois buscam viabilizar o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento frente aos problemas desencadeados pelo sofrimento psíquico.

Por isso, a importância de considerar o conhecimento científico da psicologia, em especial da Psicologia Ambiental, na discussão sobre a forma de ocupação dos espaços vivenciais e relacionais de nossa sociedade.

A Reforma Psiquiátrica não visa criar um modelo de atenção estático, reproduzindo verdades típicas do modelo manicomial, mas sim criar um modelo dinâmico em constante reforma e ressignificação, apontando para o melhor acesso tanto do usuário quanto de seus familiares, além dos próprios profissionais envolvidos no processo. Mas, e aí? O que você tem a ver com isso?

Prof. Dr. Jeovane G. Faria - Coordenador do Curso de Psicologia da UniSociesc Jaraguá do Sul