Foto divulgação | Pixabay
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O empreendedorismo feminino aumentou significativamente nos últimos 20 anos. As mulheres têm apresentado a si mesmas como portadoras de uma visão otimista diante do futuro, mas muitas coisas precisam melhorar. Por conta de barreiras culturais e sociais, as mulheres têm mais dificuldade de empreender e o senso comum ainda associa o empreendedorismo muito mais aos homens.

Além disso, algumas oportunidades são inacessíveis às mulheres. E há também uma crença de que elas teriam uma maior aversão aos riscos, como sugere o estudo de Melo, Silva e Almeida (2019).

No contexto histórico, após a Segunda Guerra Mundial, o empreendedorismo feminino estava ligado à necessidade de prover o sustento da própria família. Atualmente, os horizontes das mulheres se ampliaram e houve o surgimento do desejo de independência financeira e profissional.

Mesmo em países desenvolvidos como os Estados Unidos, apenas 39% das empresas nacionais são de empreendedoras mulheres. Em 2017 e 2018, essas empresas geraram apenas 8% dos empregos.

Empreendedoras no Brasil

No Brasil, 34% dos negócios são de mulheres jovens. Porém, só 13,8% deles empregam uma ou mais pessoas (Sebrae, 2019). Por aqui, a maior parte delas trabalha em casa e na informalidade, além de ter muita dificuldade para acessar às linhas de crédito empresarial, uma vez que mesmo fazendo menos empréstimos, costumam pagar juros até 3,5% maiores que os homens.

Outro desafio é a construção de uma rede de apoio com parcerias e mentorias femininas, por exemplo. Quando empreendedoras entram em um determinado mercado, ter exemplos femininos para trocar experiências pode ser um diferencial, inclusive para manter o equilíbrio entre os negócios e as demandas da vida familiar.

O empreendedorismo feminino é um desafio. Haja visto que o crescimento das empresas pertencentes às mulheres é desigual quando comparado ao crescimento de empresas geridas por homens. A maioria das mulheres empreendedoras possui negócios locais nos quais são a única mão de obra da empresa.

Muito precisa ser mudado para que empresas geridas por mulheres sejam valorizadas e possam crescer com a mesma facilidade que as empresas gerenciadas por homens. Políticas de acesso igualitário ao crédito e ao mercado e suporte do Estado com relação às obrigações familiares, como creches para os filhos são algumas das medidas que devem e precisam ser tomadas para que as mulheres consigam ter a chance de crescer como empreendedoras, independente do motivo pelo qual elas tenham decidido abrir o seu próprio negócio.

Priscila Cembranel

Doutora em Administração e Turismo, professora da UniSociesc Jaraguá do Sul. Atua em disciplinas de Empreendedorismo, Inovação, Gestão e Projetos.