“Close your eyes/ Have no fear/
The monster’s gone/ He’s on the run
and your daddy’s here/ Beautiful,
beautiful, beautiful/ Beautiful boy”
(Beautiful boy, John Lennon).

Quem tem filho tem preocupações extras e constantes. É da natureza dos pais buscarem o que entendem como segurança para sua prole, nos mais diversos sentidos. 

Em função disso, nas últimas semanas quase todo pai de criança, pré-adolescente e adolescente soube do retorno da famigerada boneca Momo, aquela imagem de aparência assustadora que incita a práticas perigosas ou de autoflagelo.

Alguns entraram em pânico. A comoção e as desinformações foram tão grandes que publiquei um
vídeo no meu canal de educação digital no Instagram com alguns esclarecimentos.

Em resumo: até agora não há notícias confiáveis de ter aparecido na plataforma YouTube Kids; e o alvoroço dos pais gerou mais curiosidade nos filhos e jogou a boneca para cima nas preferências do Google (pois seus algoritmos passaram a entender que o tema era relevante).

Essa não é a primeira vez que a internet traz preocupações desta natureza. Nem é a primeira vez da própria Momo. Já houve, para ficarmos nos mais famosos, os desafios da Baleia Azul e do Bird Box.

Isso, por si só, já acende a luz laranja da preocupação. Essa preocupação, porém, não deve se restringir ao YouTube do título desse artigo. As demais redes sociais e a internet como um todo devem ser alvo de acompanhamento dos pais.

O episódio serviu, ao menos, para algumas reflexões. A primeira, sempre repetida, que os pais devem ter constantes conversas francas com seus filhos, sem aterrorizar e sem especular para evitar pânico
ou curiosidade mórbida deles.

Os pais devem largar os celulares e computadores quando estiverem com seus filhos, que aprendem com exemplos. 

A segunda. Nem tudo o que se recebe pelo WhatsApp é verdade (na realidade muito pouco ultimamente). Por mais importante ou dramático que possa parecer, não repasse se não tiver certeza da sua veracidade.

Mesmo que tenha recebido de uma pessoa de confiança. Ela própria pode ter repassado por ímpeto.
Por fim, os filhos devem ter, sim, limites e restrições de acesso à internet. Que leiam mais livros e brinquem mais fora das telas; que tenham noção de suas obrigações e de suas limitações.

Tudo isso para que os pais possam, ao final do dia, na cama de seus filhos ao dar boa noite, cantar “Feche os olhos/ Não tenha medo/ O monstro se foi/ Fugiu e o papai está aqui, menino lindo”. Sem neuras.