♫ "O que vai ficar na fotografia/
São os laços invisíveis que havia/
As cores, figuras, motivos/
O sol passando sobre os amigos/
Histórias, bebidas, sorrisos/
E afeto em frente ao mar"
(Fotografia, Leoni).

Há algum tempo rola uma piadinha dizendo que o que não está no Google não existe. O Google é o verdadeiro oráculo da atualidade. Nem a Oracle dos filmes Matrix sabia tanto. Possivelmente nem o Oráculo de Delfos, da Antiga Grécia.

Esse é só um exemplo de como a tecnologia impacta diretamente desde as situações mais comezinhas até as mais complexas. Como o leitor sabe, os temas nessa coluna circulam em torno do comportamento digital, da educação digital e dos impactos da inovação e da tecnologia na vida da pessoa. Neste contexto surgem, além de novos oráculos, novas palavras, por mais bizarras que pareçam.

Você é instagramável?

Instagram todo mundo sabe o que é. Aquele aplicativo de fotos. Ou aquele instrumento que as pessoas utilizam para dizer como estão maravilhosas, lindas, ricas e de bem com a vida.

Além disso, quase todo mundo que tem um perfil no Instagram já fez a bobiça de publicar uma fotografia de comida ou bebida ou coisa pior. Sim, também já fiz isso.

Nessa linha, criou-se um neologismo: instagramável, que se refere àquilo que é tão bonito ou bacana que deve ser registrado no Instagram. O grau de instagramabilidade, óbvio, depende da subjetividade de cada pessoa.

Mas tem um local em Paris que está levando o título de rua mais instagramável do mundo! Clicando neste link (https://bit.ly/2vhSIBc) o leitor poderá ver uma foto da rua parisiense ao lado de uma foto da Praça Anita Garibaldi, na cidade de Laguna, que não fica atrás no quesito instagramabilidade.

Com o andar da carruagem, vão surgir discussões sobre quem é mais instagramável. Você, por acaso, é instagramável?

A foto ou o momento?

Uma reflexão a situação deve trazer: as pessoas estão mais preocupadas em tirar fotos para postar nas redes sociais ou em aproveitar o momento nesses lugares?

Ficar tirando estas fotos de maneira que se ajustem aos padrões das redes sociais não faz o turista perder os detalhes da paisagem ou da arquitetura? A comida esfriar ou a bebida esquentar? Ou perder aquele sorriso espontâneo de quem não tem compromisso com o flash? Não se está se dando mais valor à imagem do que ao sabor, à rede social do que à companhia?

Em tempos de aumento do número de mortes por selfies (em lugares perigosos) e de respostas instantâneas na ponta dos dedos, às vezes diminuir a velocidade, se desconectar e aproveitar o momento com pessoas importantes vale mais do que um milhão de curtidas. Afinal, o que vai ficar na fotografia da nossa memória?