Foto Pixabay
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“♫ Nada do que foi será/ De novo do jeito que já foi um dia/

Tudo passa, tudo sempre passará/ A vida vem em ondas, como um mar/
Num indo e vindo infinito/ Tudo o que se vê não é/
Igual ao que a gente viu há um segundo/
Tudo muda o tempo todo no mundo”
(Como uma onda, Lulu Santos).

A frase do título, aqui na região, normalmente com sotaque carregado, costuma expressar que há um grupo de coisas ou pessoas juntas. Uma aglomeração, antes mesmo dessa palavra ter um significado desconfortável por causa da pandemia.

Hoje, se por um lado estamos (ou deveríamos estar) separados por causa da Covid-19, por outro estamos cada vez mais “tudo junto unidos”.

As redes sociais.

As redes sociais, atualmente especialmente com o Facebook, uniram muitas pessoas afastadas pela distância. Na mesma linha, há outras como Instagram, TikTok, YouTube, Reddit, Twitter, LinkedIn, Snapchat, Pinterest, para ficarmos nas mais famosas no Ocidente. Os chineses também têm seus blockbusters, muito regionalizados, mas maiores do que a maioria dos ocidentais. O TikTok é apenas um exemplo.

Pulando para os aplicativos de mensagens, aqui no ocidente há dois que se destacam: o onipresente WhatsApp e o Telegram.

O WhatsApp.

Quase todo mundo que possui um aparelho celular com acesso à internet utiliza o WhatsApp. Este, sim, talvez seja, dentro de círculos determinados (família, trabalho, negócios, amigos), o maior exemplo do “tudo junto unido” da modernidade.

E há as variáveis desses grupos: família nuclear, família de um lado, família do outro lado, trabalho sem o chefe, diretoria, grupo de negócios A, vendas, amigos do ensino fundamental, do segundo grau, da faculdade, do futebol, das festas... ou seja, as combinações são infinitas.

Pesquisa de 2018 apontou que o brasileiro participa ativamente, em média, de mais de 5 grupos. É possível que esse número tenha aumentado. Outras pesquisas indicam: que Índia e Brasil são os países com maiores números de usuários, que no mundo há mais de 1,5 bilhão de usuários, que os usuários verificam o aplicativo em média 23 vezes por dia, e que há 1 bilhão de grupos ativos.

Perto, mas longe.

A internet, nesta toada, traz muitas contradições. Como exemplo absolutamente claro destas incoerências, em 11 de julho do ano passado publiquei no meu Instagram a foto de uma família em um restaurante: pai, mãe, filho adolescente e avó. Pai, mãe e filho no celular. Avó olhando para o nada.

Se as pessoas estão “tudo junto unido” com amigos e familiares distantes, ou mesmo com os colegas da empresa, parece que, por outro lado, não conseguem mais desgrudar dos seus aparelhos quando estão, de fato, juntas e unidas numa reunião familiar ou mesmo à mesa do jantar...

E que fique claro também: a incoerência é das pessoas, não da internet. Afinal, tudo muda o tempo todo.