Ela só quer/ Só pensa em namorar/
Mas o dotô nem examina/ Chamando o pai do lado/
Lhe diz logo em surdina/ Que o mal é da idade/
Que pra tal menina/ Não tem um só remédio/
Em toda medicina”
(O xote das meninas, Luiz Gonzaga).

É sabido que a transformação digital atingiu todos os segmentos de negócios. No varejo as mudanças parecem mais radicais porque vem interferindo nos hábitos dos consumidores. Essas inovações, porém, trazem algumas preocupações.

Facilidades.

Hoje, comprar é mais fácil do que poucos anos atrás. Já é comum encontrar consumidores nas lojas e supermercados tirando fotos de produtos com seus smartphones e comparando preços ou qualidade em aplicativos.

Tornou-se muito mais usual comprar pela internet. Esse ano, o chamado e-commerce tem previsão de crescimento de 16% em relação ao que passou. Grandes redes com serviços eficientes aumentaram a confiança dos consumidores. Pequenos negócios também estão encontrando lugar nesse universo, seja hospedados em marketplaces, seja criando nichos específicos. É um espaço democrático.

O outro lado.

Todo mundo que pesquisou algum produto ou serviço na internet já percebeu que anúncios relativos começam a aparecer com mais frequência. Alguns acreditam até que celulares nos ouvem e nos mandam publicidade sobre o que conversamos.

Isso faz acender a luz amarela: estamos comprando o que queremos ou o que achamos que queremos? Se os gigantes da internet nos colocam em uma bolha de informações (salvo exceções, costumamos receber notícias somente daquilo que se adapta ao nosso perfil sócio-político-filosófico, reforçando com parcialidade nosso entendimento sobre as coisas, deixando-nos mais tacanhos e limitados) por que não estariam, também, fazendo isso com nossa vontade de comprar? Isso é da natureza do marketing, mas com a internet ficou muito mais feroz.

A loja que soube da gravidez antes dos avós.

O uso da tecnologia para “conquistar” clientes pode trazer algumas situações inusitadas e assustadoras. Um caso de uso de dados e monitoramento do comportamento dos seus consumidores que se tornou famoso foi o de uma grande rede varejista dos EUA.

Ao fazer análise de comportamento e compras, a empresa conseguiu identificar mulheres que estavam grávidas, passando a enviar campanhas e cupons de desconto de produtos para bebês. Ocorre que o pai de uma adolescente não gostou das insinuações e quis tirar satisfação com a loja até descobrir que a filha estava realmente grávida!

Peso e contrapeso.

A tecnologia traz benefícios, mas estamos cada vez mais expostos, principalmente como consumidores. O varejo tem que se reinventar todos os dias, em especial os pequenos empreendedores.

De outro viés, a educação digital é importante mecanismo para que não se caia nas armadilhas que o marketing digital das grandes corporações nos apresenta sem que percebamos. Você realmente quer o que pensa que quer?