"A carne mais barata do mercado é a carne negra/
Mas mesmo assim/ Ainda guardo o direito/
De algum antepassado da cor/
Brigar sutilmente por respeito
(A carne, Elza Soares)."

Semana passada tratei da possibilidade (não tão remota) do surgimento de robôs com consciência e empatia. A ficção científica com chances de virar a vida como ela é.

Inteligência artificial.

De início cabe esclarecer que o que chamo de robô não é necessariamente um humanoide de metal, plástico e fios. Em regra, trata-se de um programa de computador com inteligência artificial, também conhecida como IA, que é, grosso modo, um sistema que busca simular a inteligência humana.

Há vários níveis de inteligência artificial, das mais simples, como aquela que indica filmes no Netflix com base no que você já assistiu, até as mais sofisticadas, que aprendem com os próprios erros para não os repetir em novas situações.

Reconhecimento facial.

O reconhecimento facial feito por computadores (através de câmeras) é um exemplo de inteligência artificial. O robô mapeia o rosto identificando pontos como olhos, nariz, sobrancelhas e calcula distâncias.

A tecnologia está avançando rápido – por exemplo, antes somente era possível se o rosto estivesse completamente virado para a câmera, agora não mais – mas ainda não está suficientemente madura.

Pode ter vários usos: desde comercial – vide o problema da Hering com o Procon de SP – até policial. E justamente aqui reside a grande polêmica.

Homens jovens e brancos.

Evidentemente todos querem segurança. Esta é a primeira sensação que se tem quando se fala da polícia utilizar identificação facial para localizar bandidos.

Todavia, tem-se, mundo afora, verificado muitos erros nas identificações. Nos EUA um dos pré-candidatos à presidência da república chegou a colocar em seu plano de governo a proibição da identificação facial pela polícia até que se aperfeiçoe o sistema.

Em julho, no Rio de Janeiro, uma mulher foi detida erroneamente. Na Inglaterra, uma Universidade apontou que o reconhecimento facial utilizado pela Polícia Metropolitana de Londres possui 81% de chance de falhar. São Francisco (Califórnia/EUA) já proibiu o uso policial desta tecnologia.

Lá se verificou que os erros se davam principalmente contra negros e mulheres. Os engenheiros de programação são majoritariamente homens jovens e brancos. Estudiosos estão preocupados com essa relação inversa e isso tem reforçado o debate sobre a ética na base, ou seja, no desenvolvimento dos programas.

Não se sabe se os robôs vão dominar a humanidade, mas se o fizerem, que sejam melhores do que nós também nesse aspecto.