Nós não vamo paga nada/ Nós não vamo paga nada/ É tudo free!/ Tá na hora agora é free/ Vamo embora/ Dá lugar pros gringo entrar/ Esse imóvel tá prá alugar (Aluga-se, Raul Seixas).

As pessoas dão valor a suas vidas. Em regra, muito valor. Dão valor às vidas de seus filhos ou quaisquer outros entes queridos. Mas não é o que parece, ultimamente.

Apesar de tantos esclarecimentos, de tantos avisos e até de leis como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), as pessoas não têm percebido que suas vidas também estão nos seus dados hoje em dia. E as pessoas deixam verdadeiros rastros de dados por onde passam pela internet. Dados seus e de seus filhos.

Quanto valem esses dados?

Podem valer uma vida. Ou muitas vidas. Vidas inteiras em zeros e uns nas trilhas da internet. O que as pessoas comem, por onde passam, com quem conversam, o que compram, como se divertem, se marcam encontros, quais tendências políticas, sexuais ou religiosas. Dias, meses, anos. Toda uma vida. Ou muitas vidas.

Esses dados dizem, inclusive, se a pessoa está triste ou feliz, irritada ou de bom astral. Dizem mais do que as pessoas mais íntimas dessas pessoas poderiam supor. E, cada vez mais acertadamente, os robôs que analisam esses dados sabem mais que as próprias pessoas donas desses dados.

As vontades e os comportamentos

Com tanta informação circulando na internet e robôs cada vez mais inteligentes seguindo as pessoas dia e noite, em cada clique, em cada escolha de página, em cada visita de perfil alheio, não é de se estranhar que essas pessoas sejam convencidas de suas necessidades.

Sim, que sejam convencidas, pois a quantidade massiva de informações e publicidades empurradas pelos robôs e algoritmos fazem as pessoas acreditarem que precisam de tudo ou parte daquilo que veem. Não é aleatório.

As vontades das pessoas são moduladas pelos robôs da internet conforme seu próprio (das pessoas) comportamento.

A pergunta não cala.

Então, afinal, quanto valem seus dados?

Algumas pessoas acreditam que não valem nada, pois vivem distribuindo-os por aí, em todos os sites possíveis e imagináveis. E esses sites vendem esses dados que as pessoas dão de graça. E as empresas que compram, transformam esses dados em dinheiro. Dinheiro para elas, as empresas, claro. Cada vez que uma pessoa compra alguma coisa convencida pelos robôs (sem perceber que foi convencida), a máquina registradora dessas empresas trabalha.

Nesse mercado de bilhões de dólares com os seus dados como matéria prima, qual o valor da sua fatia do bolo, mesmo?