Era caguete sim/ Era caguete sim/
Eu só sei que a polícia pintou no velório/
E o dedão do coruja apontava pra mim”
(Defunto Caguete, Bezerra da Silva).

Bom senso não tem se mostrado sinônimo das redes sociais. Invisibilidade também, mas algumas pessoas acreditam que a internet lhes dá esse poder.

O Negão do WhatsApp desempregado.

Na festa à fantasia de fim de ano em 2017 de uma grande multinacional, no Brasil, um colaborador resolveu se fantasiar de Negão do WhatsApp, aquele das piadinhas infames. As imagens, divulgadas nas redes sociais dos participantes da festa, chegaram à matriz, nos EUA, que foi direto ao ponto: demissão do colaborador.

Um executivo e o diretor geral, por aparentemente tentarem intervir, também tiveram o mesmo destino. As normas internas da empresa eram claras, o que permitiu a decisão sem maiores delongas.

Xingar o time que a empregadora patrocina não rola.

Tem tente que consegue reclamar nas redes sociais dos colegas de trabalho, do patrão ou da própria empresa em que atua. Tem gente que vai mais longe.

Há alguns anos, um cidadão de alto cargo, corintiano, ofendeu, pelo Twitter, o São Paulo após um jogo de futebol.

O problema: a empresa para a qual trabalhava era patrocinadora do time xingado e virou alvo da ira dos torcedores. O diretor, mesmo depois de pedir desculpas publicamente, foi demitido, ainda que a empresa não tivesse, à época, políticas internas para uso de redes sociais.

Crítica é diferente de preconceito.

O caso mais recente, da semana passada, é o de um funcionário da Votorantim que fez uma afirmação preconceituosa na página do Nubank no LinkedIn (rede social voltada exclusivamente a aspectos profissionais).

Nesse caso, os próprios usuários da plataforma marcaram a página da Votorantim para alertar sobre o ocorrido.

A Votorantim informou que a atitude do seu funcionário não condizia com seu código de conduta e que já não fazia mais parte do seu quadro de colaboradores.

Seu currículo informal está na rede.

Quase todos sabem, mas muitos ainda não levam em consideração. Há vários anos, empresas e departamentos de RH utilizam como referência para suas contratações o que os candidatos postam em suas redes sociais. Ainda assim, tem gente que abusa.

Conclusões.

Não existe invisibilidade na rede. Nós esquecemos o que publicamos, a internet não. Fazer no mundo virtual o que não se tem coragem de fazer no mundo real, é um grande tiro no pé, com reflexos, como se viu, na vida profissional.

Um livro interessante sobre pessoas que viram suas vidas virarem de pernas para o ar por conta do que publicaram sem pensar é o Humilhado, de Jon Ronson. Recomendo!