“♫ Do you know where your children are?/
Because it's now 12 o'clock/
If they're somewhere out on the street/
Just imagine how scared they are”
(Do You Know Where Your Children Are, Michael Jackson).

A pandemia obrigou a muitas mudanças de hábitos. Rotinas foram necessariamente alteradas visando a proteção da saúde, tanto pessoal como profissionalmente. No meio do caminho, os processos de educação, reensinando adultos, adolescentes e crianças a estudar.

Na outra ponta, por impossibilidade de atividades fora de casa, a internet se transformou numa fuga para a sobrecarga de convivência familiar. Questiono-me como seria se esta pandemia tivesse chegado há 15 anos, sem tantos recursos na internet...

A pergunta de hoje é: pais, vocês sabem com quem seus filhos se relacionam na internet?

Um universo dentro de casa.

O leitor sabe que já questionei em outros textos sobre o quanto os pais estão a par do que seus filhos, em especial os pequenos, fazem na internet, por onde navegam, com quem se relacionam.

Sabem, da mesma forma, que costumo lembrar que o “não fale com estranhos” também cabe no mundo virtual. E que a preocupação que antes era além dos muros do quintal, agora é para dentro das paredes da própria residência.

Há um universo dentro de casa. Mais precisamente, um universo dentro de uma tela. E, como sói ser em um universo, há uma infinidade de coisas boas e ruins, pessoas boas e más. E os pais precisam estar atentos.

Crime ou doença.

Muitas pessoas entendem a pedofilia apenas como crime. Entretanto, é importante esclarecer que pedofilia em si não é crime. O senso comum leva a este entendimento. Pedofilia, porém, é considerada uma doença, um desvio de sexualidade que leva um adulto a sentir atração sexual por crianças e adolescentes de forma compulsiva e obsessiva.

Nem todo pedófilo comete crime, assim como há alcoólatras que conseguem se conter. E nem toda pessoa que comete crime sexual contra criança é pedófila, pois pode não ter obsessão por sexo com criança, apenas obsessão por sexo.

Isso, obviamente, não minimiza a gravidade do problema.

O silêncio na pandemia.

Tem-se falado muito sobre a violência contra a mulher potencializado pelo confinamento, pois ficam mais tempo com seus algozes e longe das demais pessoas. Mas tenho visto muito pouco sobre o aumento de assédio sexual às crianças nesse período pandêmico.

Os pais devem ficar atentos nesse momento, ainda que estejam exaustos com a nova rotina sem escolas presenciais, home-office e, especialmente as mulheres, com tudo isso e mais as tarefas domésticas pouco divididas com os maridos, em um país machista e conservador.

Felizes as mulheres que conseguem compartilhar estas obrigações com seus cônjuges e feliz a humanidade quando não se precisar fazer mais esse tipo de comentário.

O fato é que pessoas sem escrúpulos estão se aproveitando dessa mudança de rotina e desse tédio avassalador para assediar crianças e adolescentes pela internet, seja fazendo propostas atraentes (para a cabeça de um menor), seja se passando por outra criança ou adolescente.

Nunca é demais lembrar que os pais têm, sim, a obrigação de fiscalizar as andanças virtuais de seus filhos. E, mais do que isso, de conversar com eles sobre os riscos que a modernidade traz. Como perguntou Michael Jackson, vocês sabem onde suas crianças estão? Pode ser assustador.