“♫ Todo dia ela faz tudo sempre igual/
Me sacode às seis horas da manhã/
Me sorri um sorriso pontual/
E me beija com a boca de hortelã”
(Cotidiano, Chico Buarque).

A expressão “ele vive numa bolha” ganhou outra dimensão e outros contornos com o crescimento das redes sociais na internet. O que antes era sinônimo de alienação intelectual agora está se mostrando sinal de super alienação intelectual.

Você é um embolhado?

Machismo, racismo, classismo, homofobia, xenofobia.

Toda forma de preconceito reflete ignorância qualificada ou medo.

Ignorância qualificada porque ninguém é obrigado a saber tudo. Isso é ignorância. Por outro lado, ojerizar alguém só porque é diferente, sem tentar entender os contextos históricos ou sociais das diferenças, é querer persistir na ignorância, e isso é dolo qualificado.

Também pode ser medo. Medo de se ver no outro. Não me espanta se muitos homofóbicos tiverem dúvidas conscientes ou inconscientes de sua sexualidade.

Suas vontades.

Considerando que os preconceitos que todos carregam são refletidos no comportamento na internet e, especialmente, nas redes sociais, os algoritmos (robozinhos que leem e preveem nossos nesse ambiente) dão uma grande mão para isso ficar ainda pior.

Por uma questão de lógica financeira, as redes sociais colocam à frente dos usuários aquilo que eles pensam que querem, criando uma bizarra viseira virtual.

Para ficarmos apenas no exemplo da idolatria polarizada política: esquerdopatas receberão matérias falando bem do radicalismo de esquerda ou antidireita; e bolsomínions verão temas antiesquerda ou pintando qualquer coisa do Bolsonaro como perfeita. Ficarão cada vez mais esquerdopatas e bolsomínions, não conseguindo ver além de suas bolhas, em um círculo vicioso quase sem fim, aumentando seu preconceito mútuo.

Comprando aquilo que você acha que quer.

Comercialmente não é muito diferente. Qualquer pessoal que já fez pesquisa de compras na internet sabe que receberá promoções daquele produto durante alguns dias ou semanas.

E quando o cidadão compra algo em alguma plataforma comercial, começam a aparecer sugestões de produtos que os algoritmos acreditam que o usuário vá se interessar, seja pelas compras anteriores, seja por comparar com outras pessoas que fizeram a mesma aquisição.

Isso não é de todo ruim, ao contrário da situação anterior. Mas é importante que se saiba que a compra está sendo conduzida por uma inteligência artificial. Do contrário, teremos as mentes robotizadas pelos robôs da grande rede.

Se quiser sair dessa bolha e ver como a vida pode ser diferente além dela, uma dica: confunda os algoritmos de vez em quando. Como? Acessando sites e matérias que não costuma ler. Fará bem para a sua mente e ampliará o horizonte que os robôs lhe proporcionarão.

Não esqueça: todo dia ela faz tudo sempre igual, a internet. Só depende de você fazê-la fazer diferente.