Psycho killer/ Qu'est-ce que c'est/ Fa, fa, fa, fa, fa, fa, fa, fa, fa, far better/ Run, run, run, run, run, run, run, away/ You start a conversation you can't even finish it/ You're talkin' a lot, but you're not sayin' anything. (Psycho killer, Talking Heads).

Há muito tempo, naquele anúncio, ao som de um trecho da música tema do filme Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, no original, 1960, trilha sonora de Elmer Bernstein), uma voz dizia, “venha para o mundo de Malboro, a terra onde os homens se encontram”, ou algo assim. E o locutor continuava, em uma dos inúmeras versões: “onde liberdade, independência e força são soberanas”.

Passados mais de trinta anos, o cigarro deixou de ser moda e sua publicidade foi proibida. A contaminação agora é outra: redes sociais.

Terra de ninguém.

Ao estilo de um faroeste, há quem pense que a internet é terra de ninguém, onde se pode tudo, sem qualquer consequência. Não é assim; bem longe disso.

Como não há sete magníficos, com Steve McQueen e Charles Bronson na linha de frente, para proteger os fracos e incautos da grande rede, a preocupação deve (ou deveria) ser coletiva.

Liberdade, independência e força.

No comercial, os cowboys iam para onde estava o sabor, o mundo de Malboro. Liberdade, independência e força era outro dos lemas daquela campanha de sucesso.

Agora, na grande rede, as pessoas confundem liberdade com falta de educação, independência com ignorância e força com estupidez.

No faroeste virtual vemos planícies quase infinitas de falta de educação, onde interlocutores atacam por simplesmente não saberem discutir absolutamente nada. Ao fim dessas planícies, grandes montanhas de ignorância formadas pelo argumento da independência, ou seja, do “eu posso tudo” ou “eu penso do jeito que eu quiser”. E, ao longo de todo este cenário, ventanias de estupidez, com a força de vendavais destruindo tudo o que veem pela frente: honra, imagem, vidas...

As redes sociais viraram um ponto de encontro de malucos. Antes eles estavam espalhando pelo mundo todo, mas não encontravam eco para suas insanidades e, consequentemente, não incomodavam. Agora, encontram-se virtualmente, fomentam suas ideias insanas em grupo e atuam em turba, causando perplexidade mundo afora.

Assassinos psicóticos.

Parece que a internet, especialmente as redes sociais, está cheia deles, dos assassinos psicóticos de honras. Alguns, pelos seus manifestos raivosos e virulentos, com aparentes tendências a quererem ultrapassar o mundo virtual, estimulando a ira e a verborragia daqueles com cabeças mais fracas. Infelizmente, é algo que tem acontecido com frequência indesejável.

Como diz a letra ali de cima, muita gente começa uma conversa que nem pode terminar (por inexistência de argumentos ou de inteligência, ou por nem saber por que começou); muita gente está falando bastante, mas não está dizendo nada.

Por falta de condições de dialogar com quem não está disposto pensar, é muito melhor correr para longe deles...