"Lindas mulheres patrocinadas"

"Lindas mulheres patrocinadas" "Lindas mulheres patrocinadas"

Colunistas

Por: Raphael Rocha Lopes

quarta-feira, 08:38 - 09/12/2020

Raphael Rocha Lopes

“♫ Pretty woman, look my way/ Pretty woman, say you'll stay with me/ 'Cause I need you I'll treat you right/ Come with me baby be mine tonight” (Oh pretty woman, Roy Orbison).

O que faz um homem feliz? O que faz uma mulher feliz? A internet pode contribuir para estas felicidades? Há controvérsias, e cada um no seu mundo ou no seu modo de ver o mundo.

Há umas três semanas, mais ou menos, entrevistei uma garota que está cadastrada em um site que tem o seguinte lema: “A maior rede sugar do Brasil - Mulheres lindas, homens ricos”. Em outra página da plataforma lê-se: “Mulheres jovens, bonitas e ambiciosas, de muito bom gosto, que apreciam honestidade e transparência” e “Homens bem-sucedidos e generosos patrocinadores que procuram uma princesa para cortejar”.

Voltei ao tema porque a repercussão da conversa – ainda disponível no meu perfil de educação digital do Instagram (@raphaelrochalopes) – foi muito grande. Tanto de pessoas – homens e mulheres – acompanhando ao vivo quanto de comentários no privado, ao término.

Sugars.

No site mencionado e em outros do mesmo gênero a principal função é, em resumo, conectar uma jovem bonita (sugar baby) a um homem rico (sugar daddy). Ou um jovem a uma mulher rica (sugar mommy). A ideia é a mesma, independentemente do sexo.

Como disse minha entrevistada, os objetivos dos participantes, porém, podem variar. Há aqueles homens que querem só festa e há aqueles que querem um relacionamento mais tranquilo, mas sem o compromisso de um namoro. E a há as garotas que querem só curtir, aproveitar os lugares (cidades, restaurantes) a que são levadas, as que querem só ganhar dinheiro e as que querem aprender com homens que têm sucesso em suas vidas pessoais e profissionais.

Dúvidas.

No dia, durante a apresentação, que contou com o suporte técnico dos amigos Tiba e Xalinho para que a imagem e a voz dela saíssem disfarçadas, os espectadores foram comedidos e educados.

A curiosidade era gigante e as perguntas foram todas respeitosas, inclusive aquela sobre a diferença objetiva entre este estilo de vida e a prostituição. A garota se saiu bem em suas respostas, convencendo alguns, outros não e deixando alguns pensativos.

O fato é que, hoje em dia, a tecnologia, através de plataformas e aplicativos, proporciona – ou simplesmente facilita – estes encontros nos quais as pessoas sabem o que querem e normalmente também sabem o que o outro quer.

Ainda que haja uma desconfiança destes relacionamentos por parte dos mais conservadores, sabe-se que existem desde sempre, com algumas pequenas variáveis, agora um pouco mais descortinadas pela tecnologia.

E, como a vida imita a arte, pode ser que apareça uma Julia Roberts para algum Richard Gere. Só que, em vez de caminhando pela rua como no filme e na música, será navegando pela internet...

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