O jogo é equilibrar/ Minha cabeça nas nuvens/ Pés no chão/ E coração no mundo/ Todo dia mergulhar/ Cair de ponta nesse nada/ Nada impede/ O braço de ser asa (Minha alma, O Rappa)

Há quanto tempo você não se desconecta completamente, sem celular, sem computador, sem tablet, sem maratona de série em alguma plataforma de streaming? Há quanto tempo não anda descalço na grama ou não fica jogado numa rede lendo um livro de papel, não um e-book? Há quanto tempo não para ver pássaros na árvore ou para imaginar formas nas nuvens do céu?

Refiro-me a tempo de verdade, não míseros minutos preocupado com as mensagens no smartphone. Tempo sem prazo.

Ininterruptamente.

De fato, hoje é muito difícil ficar desconectado. As pessoas estão, em regra, ininterruptamente conectadas. Conectadas na internet para trabalhar, para conhecer novas pessoas, para conversar com antigas amizades, para comprar, para se divertir, para bisbilhotar e até para falar mal dos outros e distribuir fake news.

A internet trouxe inúmeros benefícios, indiscutivelmente. Muito mais benefícios do que problemas. Mas não há como evitar que mentes más utilizem a inovação para o mau. O sentimento de culpa de Santos Dumont após a Primeira Guerra Mundial é compreensível. Não é diferente com as tecnologias de hoje. E não será com as que vêm pela frente.

Interatividade.

Mas a humanidade está passando para outro patamar. Tipo o Flamengo. Não se trata mais apenas de conexão. É interatividade. Interatividade total. Interatividade ininterrupta.

Agora a conexão exige interação. Se a resposta ao e-mail ou à mensagem não for imediata, alguém reclama. Os programas em streaming estão evoluindo para a decisão ou várias decisões do espectador durante os próprios programas. Realidade virtual e realidade aumentada estão cada vez mais presentes, e não apenas para joguinhos de celular. Aplicativos traduzem outras línguas instantaneamente. O dinheiro de papel está deixando de circular. As informações brotam de todos os lugares, ou melhor, de todas as telas. Publicidade idem.

Se você não está on, está fora! Pelo menos é o que parece.

A dose.

Como em tudo, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. A internet, como eu disse antes, trouxe muitas vantagens e benefícios. Ficar absorvido integralmente por ela, contudo, traz muitos transtornos, sociais e de saúde (há doenças inerentes à internet e à tecnologia que orbita em torno dela aparecendo a cada dia).

O segredo é equilibrar. Conectar-se é preciso, mas cair no nada de vez em quando também é necessário. Nele, os braços podem virar asas e fazer a mente navegar fora da grande rede. E isso é essencial!