“♫ Dez entre dez brasileiros preferem feijão/ esse sabor bem Brasil/ verdadeiro fator de união da família/ esse sabor de aventura/ famoso Pretão Maravilha/ faz mais feliz a mamãe, o papai/ o filhinho e a filha” (Feijão maravilha, As Frenéticas)

Talvez seja questão de tempo. Acredito que, por ideias filosóficas, a humanidade passará a não consumir carnes como consumimos hoje. Mas, como tudo na história humana, será algum gatilho econômico que gerará a grande mudança de conceitos. Sobre este viés, recomendo o livro “O código de honra: como ocorrem as revoluções morais”, de Kwame Anthony Appiah.

O fato é que crescem os números de adeptos do vegetarianismo e do veganismo. As razões são as mais diversas, e cada um tem a sua. Tentando abocanhar esse mercado promissor, as empresas estão atentas. Fez sucesso, recentemente, o tal hamburger de planta ou hamburger vegetal, apesar das controvérsias sobre supostos malefícios decorrentes do excesso de processamento.

Outro fato é que, se continuarmos a consumir carne na mesma proporção de hoje, com o crescimento da população mundial, será necessário derrubar ainda mais florestas. Mais cedo ou mais tarde, a conta ambiental chegará. Na realidade, já está chegando. O impacto gerará um efeito dominó cujo panorama previsto não é nada agradável.

Por outro lado, há décadas se aventava a possibilidade de fazendas gigantes de insetos para suprir as necessidades da humanidade, com níveis de proteína e vitaminas razoáveis. Embora no oriente, o consumo desses bichos seja uma prática comum, no ocidente ainda existe muita resistência.

Por todos estes motivos, juntos ou separados, a tecnologia e a inovação estão entrando no cardápio. Cientistas em várias partes do mundo estão tentando desenvolver carnes, ovos e outros alimentos de laboratório.

Recentemente foi divulgado o trabalho de cientistas japoneses da Universidade de Osaka que imprimiram em 3D o primeiro bife cultivado em laboratório que, segundo eles, é parecido a um corte de carne de bovinos da raça Wagyu, uma das mais caras do mundo. De acordo com a publicação da pesquisa, o bife tinha 5 por 10 milímetros e alto teor de gordura, sendo muito parecida com o real.

Os pesquisadores acreditam poder ajudar na busca de um futuro sustentável com carne cultivada. Inclusive dá para criar bifes personalizados, ou seja, ajustando às necessidades de cada consumidor. O custo e o tempo para chegar ao mercado não foram divulgados.

Em Israel, em junho, será inaugurada a primeira fábrica de carne cultivada em laboratório e, no Vale do Silício, a startup Orbillion Bio já apresentou outras carnes exóticas criadas em laboratório. Também há notícias de desenvolvimento de carne de frango, assim como pesquisas com vegetais.

Entretanto, enquanto nossos governantes estiverem menos preocupados com educação, feijão no prato, saúde e tecnologia do que com fuzis, corremos o sério risco de a humanidade não ter o que comer antes do que se pensa.