“♫ Às vezes eu falo com a vida/ Às vezes é ela quem diz/ Qual a paz que eu não quero/ Conservar/ Para tentar ser feliz” (Minha alma, O Rappa)

Elisa Lam era uma estudante de 21 anos, de família asiática, que foi passar férias no final de 2012 em Los Angeles e desapareceu. Ela tinha combinado com os pais que ligaria todos os dias para dar sinal de vida, e, quando as ligações pararam, os pais avisaram a polícia dos EUA.

O Hotel Cecil foi construído na década de 1920. Opulento e chique, à época, fica no centro de Los Angeles. Com a Grande Depressão iniciou o seu declínio, piorando ao longo das décadas seguintes.

O hotel fica numa região de LA conhecida como Skid Row, uma área gigante onde vivem milhares de desabrigados e viciados. De hotel de luxo, virou parcialmente abrigo para sem-teto. Ao longo de quase um século de vida, o Hotel Cecil foi palco de muitos crimes, violência e suicídios.

Elisa Lam se hospedou no Hotel Cecil.

Elisa Lam e a internet.

Elisa Lam era uma garota solitária e melancólica. Ela se encontrou no Tumblr, uma plataforma onde as pessoas publicam suas histórias, imagens, vídeos, áudios. Lá falava sobre sua vida, suas decepções e sua aparente depressão.

O perfil da Elisa Lam nesta plataforma foi descoberto quando a notícia do seu desaparecimento ganhou os jornais, e ainda mais quando um misterioso e estranho vídeo dela num elevador do hotel também veio a público.

Há vários documentários sobre o seu caso e o mais recente é um da Netflix. Daqui em diante não me responsabilizo por spoilers.

A cena do elevador atraiu a atenção de muita gente com inúmeras teorias da conspiração. Internautas lançaram dúvidas sobre as investigações ou a veracidade das informações que o hotel prestava. As imagens da canadense no elevador, da forma que foram divulgadas, ficaram tão bizarras que se falou muito em possessão maligna. Muito.

Os detetives da internet.

Apareceram especialistas em investigação na internet dos EUA inteiros (sim, os doutores de nada não são exclusividades tupiniquim!). Quando, dias depois, o corpo da moça, nu, foi encontrado em uma caixa d’água com uma pesada portinhola a dez metros de altura na cobertura do hotel, as especulações aumentaram espantosamente.

E as teorias dos detetives da internet ganharam volume. Alguns deles iam ao hotel para tentar ver o quarto, a caixa d’água, o elevador ou qualquer lugar por onde Elisa pudesse ter passado. Filmavam tudo.

A internet.

Atenção, mais spoilers. O resultado das investigações não foi típico de filme de Hollywood, apesar da morte ter ocorrido em Los Angeles: a polícia chegou à conclusão de que a garota teve uma sucessão de crises psicóticas porque deixou de tomar seus remédios controlados, sendo, a morte, um acidente.

A internet permeou este drama: desde quando a moça compartilhou seus pensamentos e intimidades na rede social, passando pela avalanche de pseudo-detetives virtuais tentando ser o Sherlock Holmes do caso, até se chegar à construção de mais uma lenda urbana (de internet) que ainda circula por aí... E o que vai para internet, dificilmente desaparecerá...