Sei que você abriu essa matéria esperando uma resposta pronta, mas a verdade é que a tendência nunca foi o problema. O problema é o espaço que ela passou a ocupar na nossa relação com a roupa.
Em um cenário onde o que a gente veste muda na mesma velocidade que o feed se atualiza, a moda deixa de ser só escolha estética e vira um sinal de pertencimento.
E nesse ritmo, vestir-se passa a ser menos sobre gosto e mais sobre estar “dentro” do que todo mundo está usando.
Seguir tendência não é o ponto. O ponto é quando ela toma o lugar da construção pessoal. Quando a moda deixa de ser uma forma de se expressar e vira apenas uma resposta ao que aparece na tela, em vez de contar algo sobre quem você é. E é aí que a tendência vira armadilha.
Isso também muda a forma como a gente enxerga valor. Peças que poderiam acompanhar vários momentos da vida acabam sendo trocadas por fases. O guarda-roupa se organiza menos por permanência e mais por atualização constante.
Construir identidade segue outro ritmo. É um processo mais silencioso, feito de escolhas que se repetem, se ajustam e ganham sentido com o tempo. Não chama tanta atenção quanto a novidade, mas cria algo mais forte: sustentar quem você é.
Talvez a pergunta não seja se vale a pena seguir tendências, mas como elas entram na sua vida. Como referência, elas abrem possibilidades. Como regra, acabam limitando.
É justamente por isso que entender estilo é diferente de apenas consumir moda. Os chamados 7 estilos universais (clássico, criativo, elegante, romântico, esportivo, sexy e dramático) não funcionam como caixas fechadas, mas como códigos de estilo.
Eles ajudam a identificar padrões de escolha, preferências recorrentes e formas de expressão que se mantêm mesmo quando as tendências passam. Enquanto a estética é passageira, o estilo constrói coerência e continuidade.
Segundo reportagem da Vogue Brasil, publicada em janeiro de 2026, “a moda abandona microtendências e valoriza peças clássicas e atemporais”, refletindo uma mudança no consumo e no olhar sobre estilo pessoal.
No entanto, a atemporalidade não significa, necessariamente, rigor excessivo. “O sucesso dos básicos minimalistas e bem cortados reflete uma busca por confiabilidade, mas certamente não por tédio”, explica Cristina Álvarez, Communications Manager South Europe da Klarna.
Prova disso é o renovado interesse pelas estampas animal print, que voltaram com força total. “A moda deixou de ser uma questão de seguir tendências e passou a ser uma forma de expressar sentimentos. Já não se trata do que está ‘na moda’, mas do que combina conosco, aqui e agora.”
Herdando elementos da estética mob wife, a estampa de oncinha ganha ainda mais protagonismo, reafirmando que personalidade e permanência podem, sim, caminhar juntas. Impulsionados por movimentos como o quiet luxury e o office siren. (VOGUE BRASIL. 2026)
E essa lógica não se aplica apenas ao vestir, vale também para as marcas.
Que narrativa sua marca está reforçando: a do que está em alta hoje ou a do que quer ser reconhecida amanhã?
O Moda em Foco foi criado para isso. Aqui, a pesquisa de tendências não começa pela cor do momento. Ela começa pelo comportamento, pelo consumo, pelas transformações culturais que influenciam como as pessoas se vestem, compram e se relacionam com a moda.
Ensinamos marcas de moda a construírem um posicionamento de estilo que realmente conecte com o consumidor final, usando tendências como ferramenta estratégica, não como regra.
Marcas que querem entender seu próprio estilo, aprender a traduzir tendências de comportamento, moda e consumo em identidade e consistência encontram essa solução com a gente.

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