Foto divulgação | Pexels
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“♫ Toquem o meu coração/ Façam a revolução/ Que está no ar, nas ondas do rádio/ No underground repousa o repúdio/ E deve despertar” (Rádio Pirata, RPM).

De dois em dois anos o cidadão brasileiro tem um encontro com as urnas. Uma responsabilidade gigante, mas para a qual está se dando cada vez menos importância, infelizmente.

No Brasil, já há alguns anos, o voto é pela tão polêmica e contestada urna eletrônica. O mais engraçado (ou triste) é que há uma ala política que sempre coloca em dúvida a confiabilidade deste sistema. Menos quando ganha as eleições. Aquele velho ditado cabe muito bem: um peso e duas medidas...

A internet já sabe em quem você vai votar

Semana passada o texto foi sobre a importância que os dados (e os movimentos cotidianos dos usuários) têm na internet. Há estudos que apontam que os algoritmos da internet sabem mais da vida do usuário do que o próprio usuário. Nesta linha, a internet já pode prever, inclusive, em quem os usuários vão votar. E podem apontar, provavelmente com grande margem de acerto, até em quem os indecisos vão votar.

Da mesma forma, foi falado sobre a manipulação que pode ocorrer com os usuários da internet. Navegando, as pessoas são levadas a ficar mais ou menos tempo em determinados sites de acordo com os interesses dos robozinhos, dos algoritmos.

Essa manipulação cria viseiras (como aquelas que se coloca nos burros para olharem sempre para frente, para não se distraírem) virtuais nos seres humanos. Poucos percebem. Tanto não percebem que se tornam cada vez mais radicais com seus conceitos e ideias normalmente infundados (ou fundamentados em mentiras veiculadas na internet – as fake news).

As fake news

Nas últimas eleições presidenciais tanto daqui quanto dos EUA houve uma avalanche de fake news que, indiscutivelmente, interferiu nos votos dos eleitores mais desavisados. Porque seu pensamento (já manipulado) estava de acordo com as fake news. Ou porque gostariam que aquela mentira fosse verdade, e, mesmo tento consciência da incerteza da informação, passavam adiante, normalmente para, no fundo, massagear seu próprio ego: “Viu? Eu disse que era desse jeito!”.

Na maioria dos casos, as pessoas se deixam levar conscientemente pelas mentiras que ajudam a propagar. E é tudo tão bizarro nas fakes news políticas do mundo virtual que pessoas acreditam que o presidente não foi esfaqueado nas últimas eleições ou que um partido de direita (com clara pauta de direita) é um braço de um partido de esquerda.

O jogo sujo

Em todas as eleições, desde sempre, tem o pessoal do jogo sujo. Acontece que, agora, a dissimulação vem por mensagens da WhatsApp ou por postagens no Facebook. A tendência é que essa artilharia do mal cresça nas próximas semanas.

Então é importante que as pessoas de boa índole, de bom senso e responsabilidade tenham a preocupação de conferir quaisquer informações que recebam colocando em dúvida a reputação dos candidatos ou seus partidos. É o mínimo que se espera de eleitores conscientes e de uma eleição justa.