♫ “Ouvimos qualquer coisa de Brasília/
Rumores falam em guerrilha/
Foto no jornal/ Cadeia nacional/
Viola o canto ingênuo do caboclo/
Caiu o santo do pau oco/ Foge pro riacho/
Foge que eu te acho sim.”
(Revoluções por minuto - RPM).

Muita gente não dá importância aos boatos que circulam pela internet, especialmente nas redes sociais e nos aplicativos de comunicação, como o WhatsApp, por exemplo. Muito acreditam que esses boatos – ou fake news – são despretensiosos demais para poderem interferir em eleições.

Pois bem!

O debate e a dúvida não são à toa.

Até hoje nos EUA paira a dúvida sobre a legitimidade do presidente vencedor nas últimas eleições por suposta influência nas redes sociais de governos de outros países. É um quebra-cabeça complexo no qual provavelmente sempre haverá lacunas. Nem todas as peças estarão no tabuleiro.

Se lá – o país da liberdade, da tecnologia e do debate – aconteceu, por que não poderia ocorrer em qualquer outro lugar, inclusive em terras tupiniquins?

Finalmente o WhatsApp admite.

Pela primeira vez a empresa proprietária do aplicativo admitiu que nas eleições brasileiras de 2018 seu produto foi utilizado para disparos em massa de mensagens, conforme explicou o seu gerente de políticas públicas e eleições globais.

Ou seja, durante o período eleitoral foram usados sistemas automatizados para envio massivo de mensagens políticas, o que, por si só, é ilegal. Existem denúncias dos dois lados finalistas nas nossas eleições. Não há santos.

O grande problema é que muitos acabaram tomando suas decisões de voto não com base em suas reais convicções, mas tendo por parâmetro boatos travestidos de informações sérias (por mais absurdos que pudessem ser).

As pessoas tendem a acreditar naquilo que querem acreditar, especialmente em uma eleição tão polarizada e ridiculamente pobre de conteúdo político, como a nossa última, na qual o que menos se fez foi debater ideias e o que mais se fez foi atacar pessoas. As pessoas simplesmente esqueceram que o debate racional constrói ideias e ideais; e que uma nação é assim formada.

Outros mesmos temas

A situação é assombrosa. Só não sei o que assombra mais: o poder dessas mensagens falsas ou a nossa incapacidade de compreender o alcance desse poder. Outra música do RPM também poderia ser o tema do texto de hoje:

“Toquem o meu coração, Façam a revolução, Que está no ar, Nas ondas do rádio, No submundo repousa o repúdio, E deve despertar, Disputar em cada frequência, O espaço nosso nessa decadência”.

Basta substituir “ar”, “rádio”, “submundo” e “frequência” por internet. Infelizmente o “coração” já foi substituído por qualquer outra coisa (talvez uma mescla dos sentimentos iniciais do Espantalho, do Homem de Lata e do Leão do filme O Mágico de Oz).