Foto divulgação | Unsplash
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Liberdade vigiada/ No beco escuro explode a violência/ No meio da madrugada/ Com amor, ódio, urgência/ Ou como se não fosse nada” (O beco, Os Paralamas do Sucesso).

Já comentei sobre os corajosos atrás das telas, aqueles que se acham inalcançáveis protegidos pela sensação de distância que traz a internet.

Nem sempre é assim. Muitas pessoas percebem imediatamente que uma postagem pode gerar transtornos extremamente graves na sua vida. Há loucos no mundo virtual que são gente de carne e osso.

E um episódio desta semana chamou a atenção.

Desejos sombrios.

A semana que passou, para quem gosta de futebol, foi agitada. A disputa, pelo Flamengo, da Taça Libertadores, fez brincadeiras surgirem dos dois lados. Dos que torciam pelo título, depois de 38 anos, e dos que torciam contra, para zoar com os flamenguistas, o que é absolutamente normal. Entretanto, algumas fugiram do limite razoável, deixando de ser sadias.

Foi o caso de uma torcedora do Vasco que publicou em uma rede social que gostaria que o Flamengo perdesse (até aí tudo bem) e que o avião com a delegação, no voo de volta, caísse como aconteceu com a Chapecoense (lamentavelmente infeliz).

Tenho convicção que, de verdade, ela não desejava tal tragédia. Foi um ímpeto, aquilo que se costuma chamar de “da boca pra fora”. Mas ela escreveu... e se arrependeu. Justificou o injustificável, em um vídeo que viralizou (assim como sua postagem infeliz, que havia sido apagada logo em seguida), e parecia genuinamente arrependida. Não sei se sofreu ameaças ou se foi aconselhada pela família e amigos.

Os odiadores.

O caso acima não foi o primeiro e nem será o último. A internet potencializou os haters (odiadores, em uma estranha tradução), pessoas que utilizam a grande rede para falar mal de outros, ameaçar, denegrir, mesmo que não conheçam as vítimas.

Tem um livro que retrata bem esta praga: Humilhado - como a era da internet mudou o julgamento público, de Jon Ronson. O autor traz exemplos acontecidos nos EUA que ganharam grande repercussão.

São episódios de pessoas que tiveram suas vidas devastadas e ameaçadas, perderam seus empregos, alguns até tiveram que mudar de cidade, por conta de brincadeiras de mau gosto ou comentários pejorativos ou impensados publicados nas redes sociais.

Caldo de galinha.

Outro ditado diz que cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. A palavra, assim como a flecha, depois de lançada não volta mais. Nas redes sociais, um comentário atravessado pode ser suficiente para causar um rebuliço sem tamanho. E mesmo que seja logo apagado, sempre há o risco de alguém já ter copiado ou replicado.

No beco escuro e infinito da internet explode a violência por qualquer motivo, com amor, ódio ou como se não fosse nada.

Por isso fica a sugestão: antes de escrever algo polêmico vá fazer um caldo de galinha. Só depois de tomar a sopa, volte para a frente do computador ou do celular.