“♫ É melhor ser alegre que ser triste/ Alegria é a melhor coisa que existe/ É assim como a luz no coração” (Samba da benção, Vinícius de Moraes).

O ano que passou, 2020, entrou para o rol dos emblemáticos, daqueles que ficam para a história pelas revoluções comportamentais, científicas ou tecnológicas que provocam, como 1453, 1789, 1917, 1945, 1968, 1989 e 2001. Já está no grande templo dos anos inesquecíveis, embora que poucos vão ter saudades dele.

Os impactos da pandemia permearam quase todo o ano que passou em quase todas as áreas em quase todos os lugares. Trouxe momentos de medo, tristeza, expectativa, euforia, esperança.

Pode-se dizer, com grande margem de acerto, que os que mais tinham certezas eram os mais perdidos neste furacão de informações e desinformações que assolou o mundo ano passado.

Geração mertiolate que não arde.

Em minhas palestras costumo descrever parte da penúltima geração como “mimimi 140 caracteres”. Não podem ser contrariadas para nada e não leem mais do que as manchetes ou o primeiro parágrafo dos sites (muitas vezes de credibilidade duvidosa) que acessam. É uma fórmula perigosa, pois, mesmo sem qualquer informação substancial, metem-se a profundos conhecedores de tudo.

Culpa do mertiolate que não arde. No meu tempo, chegava em casa ralado e com medo, porque a mãe iria passar o temido mertiolate, que ardia pra dedéu, e ainda falaria: “Engole esse choro!”. Numa tacada aprendíamos sobre consequências, respeito e experiência.

Enquanto uns...

Nesse ano que passou se ouviu muito coisas como “enquanto uns choram, outros vendem lenços” ou “tempos difíceis fazem homens fortes; homens fortes fazem tempos fáceis; tempos fáceis fazem homens fracos”. São verdades, não sei se absolutas.

Tem muita gente que passou mertiolate que não arde que não emburreceu ou que não se amedronta diante de desafios difíceis e verdadeiros. Alguns exemplos vieram em 2020.

Bem-vindos a 2025!

A tragédia humana que a pandemia trouxe, descortinando gestores despreparados ou que queriam só fazer política (a ruim), não pode ser relevada a segundo plano. Entretanto, a necessidade, também conhecida como Mãe da Criatividade, acelerou muitos processos e tecnologias.

Se escolas, professores e alunos apanharam muito no primeiro semestre, encontraram soluções mais realistas no segundo. Se as videoconferências foram recheadas de cenas cômicas ou trágicas no início, com o tempo as pessoas aprenderam a se comportar. Se havia o medo da quebradeira geral, empresas e clientes aprimoraram a relação online. Se a saudade batia, até os avós e bisavós aprenderam a usar os aplicativos de comunicação.

Tecnologias que estavam sendo preparadas para daqui a alguns anos, caíram no mercado de supetão. Em diversas áreas, a inovação foi o porto seguro da humanidade. Especialistas dizem que esse ano usaremos muito do que estava previsto só para 2025.

Então, apesar de todas as adversidades, é melhor ser alegre do que ser triste. Podemos, sempre, aprender com o que deu errado.