Foto pixabay
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“♫ Orgulho, hipocrisia, vaidade e nada mais/

são três coisas que em menos de um segundo se desfaz/
o mundo é mesmo assim, cheio de ilusão/
na arte de convencer meu coração”
(Orgulho, hipocrisia – Clementina de Jesus).

Ah, a pandemia! Epidemia mundial que está trazendo muita perda (de vidas e econômica), muita tristeza, muito radicalismo insano, e fazendo muitos amigos ou familiares brigarem bem ao estilo das últimas eleições presidenciais (polarizando politicamente uma discussão que deveria ser médica e ponderada, considerando seus diversos reflexos).

Ah, a pandemia! Descortinando vaidades e hipocrisias como, talvez, nunca. Pelo menos nunca neste volume! Pessoas sendo pegas no flagra sobre o que realmente pensam e sobre como realmente pensam. Os seus mais internos íntimos sendo expostos mundialmente.

Câmeras e microfones.

Ante a necessidade de reuniões e sessões se realizarem remotamente e por meios virtuais, algumas pessoas estão tropeçando nas inocentes armadilhas da tecnologia.

E estes tropeços viralizam. Quanto maiores forem os absurdos ou quanto mais causarem indignação, mais grupos de WhatsApp e redes sociais vão alcançar.

Há casos que beiram o bizarro, como o da moça que foi ao banheiro durante uma reunião, levando seu aparelho celular, esquecendo de desligar a câmera. Percebeu apenas quando viu seus amigos abanando desesperadamente para ela. Um susto sem maiores complicações.

E há situações lamentáveis. O que deveria ser a nata da sociedade, professores universitários e desembargadores, por exemplo, perdendo a compostura em reuniões públicas e ofendendo com palavras do mais baixo calão.

Ofensas que só vieram à tona porque esqueceram de desligar seus microfones. Alguns ainda tiveram a hombridade de pedir desculpas, outros vieram com desculpas estapafúrdias. Ainda mais surreal é quando, no meio destas confusões, aparecem outros alguéns seminus nas imagens; aqueles que esqueceram de desligar as câmeras.

Black mirror e máscaras.

Na primeira temporada da série sobre tecnologia e comportamento Black Mirror (Netflix) tem um dos episódios (o terceiro) mais inquietantes. “Toda sua história” é sobre um futuro em que as pessoas implantam um chip que grava tudo o que veem e ouvem, com a possibilidade de rever o que está gravado. Uma espécie de memória 100% acessível.

O leitor já imaginou alguém acessando os registros de tudo o que você viu e ouviu? De certa forma, o impacto destes vídeos e áudios (por ora fictícios) podem ser comparados aos microfones e câmeras abertos de hoje em dia, que estão fazendo máscaras caírem dia após dia.

Como cantava Clementina de Jesus (na parte final da música tema deste texto), “a vida que passou não volta atrás”. As barbaridades faladas nas videoconferências também...