“♫ Não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar/ Não deixe nada pra semana que vem/ Porque semana que vem pode nem chegar/ Pra depois, o tempo passar” (Semana que vem, Pitty).

O mundo está passando por transformações em velocidade nunca vista antes. Tudo está se transformando, desde a forma como as pessoas se relacionam até como os negócios são fechados.

A tecnologia, especialmente a internet, é a mola propulsora destas mudanças rápidas e radicais. E as profissões, como não poderia deixar de ser, estão no olho do furacão.

O que você vai ser quando crescer?

Essa pergunta é feita a toda criança quando pequena. E na maioria dos casos, pelo menos até bem pouco tempo atrás, o perguntador esperava ouvir respostas como bombeiro, astronauta, jogador de futebol, professor, advogado, médico, engenheiro, seja para meninos ou meninas.

De acordo com o perfil ou temperamento da criança, os pais ou tios que perguntavam já esperavam determinada resposta. Agora, porém, essa resposta vai ficar cada vez mais vaga e complicada...

Estudos apontam que de seis a oito crianças, a cada dez que estão entrando no ensino fundamental, exercerão atividades e profissões desconhecidas hoje. Sim, não estou falando de crianças que não sabem o que querem ser, mas de profissões que ainda não existem! É algo surreal, assustador e surpreendente ao mesmo tempo.

Estão nossas escolas – e os pais – preparados para essa revolução profissional e social que a tecnologia está trazendo?

E os advogados?

Algumas profissões vão sumir e outras terão que se transformar radicalmente. Poucas são as que terão transformação paulatina. Nas minhas aulas e palestras em IES voltadas aos cursos de Direito, não é incomum a pergunta: Raphael, então a advocacia vai sumir? Estamos fazendo o curso para quê?

Não, a advocacia não vai sumir. Está ali no meio daquelas possibilidades que falei acima, ou seja, não desaparecerá, mas também não será transformada lentamente. A nova geração – ou a atual que ainda tenha bons anos profissionais pela frente – deverá ser mais do que aqueles advogados tradicionais que estamos acostumados a ver.

Embora alguns festejem o crescente desuso de gravatas e paletós, a vestimenta é a menor das questões. Haverá excelentes e modernos advogados usando camisetas e, sim, também haverá advogados usando ternos completos, aqueles com colete. O que verdadeiramente interessará ao cliente é como ele resolverá seus problemas.

E o leitor me dirá: Ah, Raphael, mas isso sempre foi assim. O que interessa é a solução dos problemas dos clientes.

Sim, sempre foi assim. Ocorre que agora é assim... e diferente. Os advogados já estão concorrendo com robôs e não dá para competir com uma máquina que resolve em segundos o que um profissional demora horas.

As soft skills e o conhecimento de tecnologia passaram a ser essenciais aos advogados que pretendem ser bem-sucedidos. E reputo que criatividade é um dos principais elementos aos novos profissionais.

Entretanto é bom que se diga: criatividade, na maior parte das vezes, não surge do nada. Demanda muito conhecimento e competência. Então, não adianta se escorar folgadamente na transformação digital que já chegou e pronto. Os novos advogados deverão saber utilizar a tecnologia e, acima de tudo, estudar e entender Direito. Do contrário, serão substituídos pelos robôs logo, logo...