O rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho, um dos mais graves crimes ambientais do país, com evidências de corrupção, fraude e descaso com o risco, demonstra um problema grave e recorrente na busca por lucros cada vez maiores: a negligência com as vidas que possam ser afetadas.

Julgando pelas evidências até o momento, esse parece ter sido o caso da operação de mineração da Vale, dada prisão dos engenheiros responsáveis pelos laudos autorizando a continuidade das operações.

A preocupação com lucro acima de quem possa prejudicar - mesmo que sejam os clientes do produto - é um velho problema, e poucas coisas exemplificam melhor do que o infame Ford Pinto, lançado no mercado norte americano em setembro de 1970.

A localização do tanque de combustível facilitava a ocorrência de explosões em caso de batida por trás no carro.

O problema era conhecido antes do lançamento do carro, mas a Ford optou por lança-lo como estava após fazer uma análise que revelou que pagar as indenizações para eventuais vítimas sairia mais barato: a análise concluía que o custo das indenizações, prevendo 800 mortes e mais de 2.000 feridos, ficaria em “apenas” US$ 49,500 milhões.

O valor do reparo seria de US$ 11,00 para cada automóvel, totalizando US$ 137 milhões para regularizar toda a linha de produção.

Não é o único caso do tipo, em que o risco era conhecido e medidas não foram tomadas para evitá-lo, mas sim para minimizar os prejuízos caso o pior viesse a acontecer.

Considerado o pior desastre industrial da história, o vazamento da fábrica de pesticidas da Union Carbide em Bhopal, Índia, em 1984, foi antecedido por múltiplos incidentes de vazamento de gás desde 1976, mas a manutenção e reposição das válvulas de gás foi considerada "dispendiosa demais" pela empresa, que após o desastre alegou não ter responsabilidade pela gestão da fábrica.

O desastre deixou cerca de 3 mil mortos.

E no caso de Brumadinho... temos a Vale negando responsabilidade em um primeiro momento, antes de desautorizar seu advogado, enquanto sua subsidiária, Samarco, segue sem pagar um único centavo dos R$ 350 milhões em multas impostas pelo Ibama pelo rompimento de outra barragem, em Mariana, em 2015.

Isso leva o problema a outro patamar: não apenas pagar as indenizações e multas sai mais barato, como em muitos casos  não são pagas.

E houve quem dissesse que a Vale não devia ser punida severamente por Brumadinho: devia no máximo ser multada - se tanto - e as operações retomadas o quanto antes, para não prejudicar a empresa.

Da mesma maneira, há quem diga que a empresa não deva ser alvo de intervenção: o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni , afirmou nesta terça-feira (29) que o governo federal não vai intervir na diretoria da Vale, para não dar sinais negativos para o mercado.

“Não há condição de haver qualquer grau de intervenção até porque essa não seria uma sinalização desejada ao mercado”, completou.

O problema, vale lembrar, não é a empresa querer lucro: é por a sede por lucros mais altos antes da responsabilidade.

Temos empresas altamente responsáveis que fazem questão de fazer tudo dentro das normas, até por almejarem ser referência - e casos como a Vale e a Samarco , em Brumadinho e Mariana, fazem muito por tornar o país referência negativa.

Tanto que a ONU pediu a abertura de investigações criminais internacionais em Brumadinho - e já havia alertado o país para irregularidades na operação da Vale.

Agenda de plenárias

A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Jaraguá do Sul realiza, nesta quarta-feira (30), a primeira plenária mensal do ano. A reunião, aberta a associados, terá a presença dos vereadores Marcelino Gruner e Anderson Kassner, respectivamente, atual e ex-presidentes da Câmara Municipal.

Eles falam sobre os planos para a nova gestão e também a respeito da prestação de contas do exercício passado.

Além disso, ainda haverá uma discussão sobre insights da NRF, maior feira de varejo do mundo da qual a diretoria da CDL participou, neste início de 2019. A plenária começa às 12h15, no Clube Atlético Baependi.

Juros do crédito

Os clientes de instituições financeiras que caíram no rotativo do cartão de crédito ou usaram cheque especial pagaram juros mais caros em dezembro de 2018, de acordo com dados do Banco Central (BC), divulgados terça-feira (29).

A taxa de juros do cheque especial subiu 6,9 pontos percentuais, em relação a novembro, ao chegar em 312,6% ao ano, em dezembro. No ano, entretanto, houve recuo de 10,4 pontos percentuais nessa taxa de juros.

 

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