Foto Eduardo Montecino/OCP News
Foto Eduardo Montecino/OCP News

São tempos difíceis para o Brasil e, sobretudo, para imprensa. Época de fake news que se proliferam e corroem a verdade e a democracia. Tempos em que muitas pessoas não querem fatos, querem apenas confirmar aquilo que elas gostariam que fosse verdade.

Dias em que o espetáculo e o sangue são mais importantes do que vida. Horas em que ser repórter é um desafio ainda maior.

Não basta checar, checar mais uma vez, cruzar informações, contrapor, escrever, editar. As pessoas querem o título, a lista, o resumo, o escracho.

Querem falar mal, acusar, ridicularizar e opinar sem nunca relativizar, muito menos conhecer. Todo mundo tem um celular com câmera, uma rede social e plim plim.

A produção de conteúdo foi democratizada. E tem muita gente confundindo qualquer coisa com jornalismo, o que é um risco grande e de alto custo social.

Apesar de tantos contra, continuo sendo uma apaixonada. Mais do que apaixonada, uma convicta da importância do jornalismo no dia a dia das pessoas e na construção de um futuro melhor.

Sem jornalismo, todo mundo fica refém. O verdadeiro papel do jornalista é, e sempre foi, fazer pensar, por mais que isso contrarie – e tem que contrariar- alguns interesses.

E é como alguém que valoriza e acredita nessa missão que hoje me despeço do OCP. Tenho a certeza de que esse jornal centenário, comprometido com a comunidade e no qual atuei por 14 anos, continuará a desempenhar com maestria essa função.

Vou feliz por querer desbravar novos caminhos e confiante nessa nova geração. A redação foi até agora meu habitat natural.

Com dois filhos, costumava brincar que era aqui que eu descansava! Com vocês, colegas, me senti em casa, fui feliz, me desafiei, tentei ser melhor, aprendi, me comprometi.

Antes de ir, deixo um abraço apertado e um conselho, alguns, na verdade. Continuem lutando por um mundo melhor, mais fraterno e justo.

Corram atrás de boas pautas, contem boas histórias, se questionem, duvidem, leiam, interroguem, cultivem boas fontes. Lembrem-se sempre, a gente não tem todas as respostas, mas sim todas as perguntas.

Agradecimentos

Além da redação, não posso partir sem agradecer a cada uma das pessoas com quem trabalhei nesse tempo, de todos os setores. Vocês foram fundamentais para meu crescimento.

Sou grata a todos, desde a antiga direção que, em uma quarta feira, lá de 2005, enviou uma passagem de avião e eu vim de Porto Alegre, recém formada, conversar sobre uma vaga no OCP.

Depois daquilo, só voltei ao RS para passear. Sob a direção de Walter Janssen Neto, quanta mudança, quanta evolução, quantos desafios e parcerias.

Sobretudo, quando aprendizado, obrigada! Marcelo Janssen e Nelson Pereira também sempre foram parceiros importantes. Deixo um abraço apertado.

Leitores, queridos!

Não é todo mundo que gosta de política, eu sei, apesar de no fundo não entender. Como não gostar de política, se é através dela que podemos construir um futuro coletivo melhor?

A vocês, obrigada pela companhia, pelos elogios e pelas críticas. Podemos manter contatos através das redes sociais.

Bom caminho

A partir da próxima semana, a coluna Plenário ficará sob a responsabilidade de Áurea Arendartchuk.

Uma amiga e jornalista com mais de 20 anos de experiência. Uma profissional competente e dedicada.

Uma mulher com visão de mundo e com vontade de contribuir. Sucesso, vai com tudo guria!

 

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