Fábio Schiochet (PSL) se prepara para tomar posse na sexta-feira, mas já conseguiu compromisso do governo federal de aporte de R$ 65 milhões para duplicação da BR-280 entre Jaraguá do Sul e São Francisco.

A verba deve ser acrescentada aos R$ 89 milhões que estão no Orçamento Geral de 2019 para rodovia, que é, para Schiochet, a prioridade das prioridades.

Sobre o trecho urbano, o jaraguaense defende a devolução à União, por acreditar que assim será mais fácil tirar a obra do papel, pois o Estado, segundo ele, não tem recurso.

Na entrevista a seguir, o deputado também admite a necessidade de cortar privilégios da classe política e anuncia que nomeará apenas 16 dos 25 cargos que teria direito no gabinete. "A máquina tem que ser mais enxuta e os deputados precisam perder um pouco dos benefícios", afirma.

Pauta considerada estratégica para criar um ambiente econômico mais favorável, Schiochet se diz favorável à reforma Previdenciária, entende que ela deve envolver todas as categorias, com exceção dos militares, que são de regime separado.

Sobre o início do governo de Jair Bolsonaro, o empresário, que surpreendeu em outubro do ano passado ao fazer quase 90 mil votos, diz estar feliz e entusiasmado. A mesma percepção, ele tem da arrancada de Carlos Moisés.

Depois de uma vitória surpreendente nas urnas, o senhor, com apenas 30 anos, se prepara para  assumir essa semana uma cadeira na Câmara dos Deputados. Está pronto para o desafio, motivado, com frio na barriga? 

Muito motivado. Claro que é um desafio novo e extremamente importante, dá um frio na barriga, não vou dizer que não, mas me sinto preparado hoje para sentar naquela cadeira, fazer as votações e realmente contribuir para Santa Catarina e para o Brasil.

Um dos primeiros compromissos logo após a posse será a eleição para presidência da Câmara. Hoje, o PSL declara apoio a Rodrigo Maia, do DEM. O senhor acredita que ele é a melhor escolha?

Fechamos um bloco para apoiar o Rodrigo Maia e eu acredito sim que ele é um nome muito preparado. Porque lá dentro não é só a questão da popularidade, a questão de ideias diferentes, mas tem que entender o Regimento Interno, essa é a maior dificuldade hoje. Então, eu acredito e com confiança em falar que dos atuais candidatos ele é o mais preparado.

Estrategicamente também é bom para o governo?

Com certeza, ele já declarou apoio ao governo do Jair. E para nós, do PSL, vai ficar mais fácil o acesso, porque tem que trabalhar em harmonia, o Executivo e o Legislativo. O Maia também compactua com muitas ideias do Jair.

Você não tomou posse ainda, mas tem ido frequentemente a Florianópolis e Brasília, acompanhado, inclusive, do governador Carlos Moisés. Já dá para sentir o que a região pode esperar do governo de Jair Bolsonaro?

Com certeza. Como foi a questão da 280 que a gente participou de uma audiência com ministro da Infraestrutura e eu cobrei muito do governador. Falei da dificuldade, a pedra no sapato, que é para o desenvolvimento da nossa região e da região do Planalto Norte a não duplicação da 280. A nossa linha principal de trabalho será essa. Um ponto que a gente bateu muito foi sobre a necessidade da obra não parar.

Da reunião, saiu uma notícia boa? 

Sim, a notícia boa é que R$ 65 milhões foram garantidos para continuar essa obra. Eu posso falar que essa obra é um compromisso meu como jaraguaense. Eu bati muito na minha campanha sobre esse assunto. Já estou fazendo e mostrando.

Esses R$ 65 milhões são a mais do que estava previsto no Orçamento, que este ano é de R$ 89,1 milhões? 

Sim. E eu digo para você, Patrícia, vou buscar, vou em cima para que a gente possa concluir essa obra o quanto antes.

E do governador Carlos Moisés em relação ao trecho urbano da BR-280, qual a informação que o senhor tem?

A gente sabe que o Estado está sem dinheiro, hoje a nossa prioridade é a saúde, então, uma proposta que eu fiz e que o governador acatou, a gente vai começar esse trabalho já, é para esse trecho voltar para União. Temos dois deputados federias, eu e o Carlos Chiodini, podemos ficar em cima mostrando a importância da obra.

O governador terminaria o elevado que começou a ser concluído?

A princípio não porque se for federalizar não é mais de responsabilidade do estado. Mas, é mais fácil a gente conseguir o governo federal fazer essa obra.

O senhor falou da parceria com Carlos Chiodini. Ter dois deputados federais é uma oportunidade que abre muitas portas, dá voz a antigos pleitos. 

Com certeza, nós dois tomamos posse sexta-feira e começamos a trabalhar. Eu tenho certeza que a minha ideia é a mesma do deputado Carlos, que é pensar na nossa região. Jaraguá do Sul teve, na última vez, o doutor Vicente como deputado federal. Agora tem dois deputados federais jovens.

 

O deputado Carlos foi o mais jovem deputado da Assembleia, fez muita coisa. Eu sou o mais jovem deputado federal da história de Santa Catarina, então, os dois jovens entrando no Congresso podem brigar muito pela nossa região.

O senhor já declarou ser favorável à reforma da Previdência. Espera que as mudanças acabem com privilégios envolvendo todas as categorias, inclusive o judiciário e os militares?

Eu concordo 100% com a reforma da Previdência, ela tem que acontecer. Vai ser um divisor de águas no Brasil, antes da reforma e depois da reforma.

 

Se aquela pessoa que trabalhou 35, 40 anos, está com 65 anos ganhando R$ 1.000 por mês vai ter que contribuir, o juiz, e eu não vou tirar o mérito do judiciário, mas que se aposenta com R$ 25 mil, R$ 30 mil, R$ 100 mil por mês, dependendo da situação, também. Sou favorável à reforma com todas as classes.

 

A dos militares que a gente tem que ter um pouquinho mais de cuidado, militar não tem 13º, militar não pode ficar junto no sindicato, militar não tem hora extra, a gente teria que ter mais cuidado com essa situação.

Os militares não serão englobados então?

Eu acredito que não

Deputado, como o senhor avalia o começo do governo do Bolsonaro, as primeiras medidas anunciadas, a participação dele em Davos?

Quem acompanhou o que a gente via, de 2003 para frente, até o fim do PT no poder, a conversa já voltou a ser uma conversa séria. O investidor externo voltou a acreditar no nosso mercado interno.

 

Estou muito feliz com as medidas do Bolsonaro, com os ministros que ele escolheu. Já conversamos com quase todos os ministros. Com o Onyx, a conversa é de cortar cargos, enxugar a máquina, fazer acontecer.

 

Estou muito confiante no governo de Jair Bolsonaro, como também estou confiante em relação ao governo de Carlos Moisés.

O eleitor mostrou com essa onda pela nova política que espera uma postura diferente dos políticos. O fim de privilégios é uma das expectativas. O senhor ainda não assumiu, mas sabe se será possível cortar alguma coisa?

Com certeza, eu vejo que é muito privilégio, por exemplo, hoje, a princípio, eu teria direito a ter 24, 25 assessores com uma folha de pagamento de R$ 106 mil por mês.

 

Nosso quadro está fechado com 16 pessoas, que vão dar suporte em Brasília e na base aqui em Santa Catarina.

 

Eu comecei já cortando gastos, dentro do meu próprio gabinete, são quase 10 pessoas que eu teria direito de indicar. A máquina tem que ser mais enxuta e os deputados precisam perder um pouco dos benefícios.

 

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