Nossa dividida sociedade brasileira sente atônita os efeitos do primeiro embate das eleições. Se o clima pré pleito já era de extrema polarização, o pós pleito vem se transformando em irracional convulsão. Por sorte, dada as características próprias de povo latino, dócil e apático, dificilmente pegaríamos em armas. Contudo, conforme adágio popular, “águas paradas são profundas.”

O atual clima eleitoral não tem a letalidade das armas, mas, está revelando as profundezas da alma cruel de boa parte do povo brasileiro, cuja formação educacional e humana, situa-se de rasa a mediana. A onda do xenofobismo nacional, nunca testemunhada em tal intensidade, é uma autêntica prova disso. Considerando, então, que os que a cometem não fazem juízo do que seja, me valho da definição adotada pelas Nações Unidas, que considera a xenofobia como sendo “atitudes, preconceitos e comportamentos que rejeitam, excluem e frequentemente difamam pessoas, com base na percepção de que eles são estranhos à comunidade, sociedade ou identidade nacional.”

Estamos assistindo um processo de desagregação do sentido de nação enquanto grupo étnico, com seu território, idioma, cultura, religião, hábitos e tradições. Os que praticam e promovem a xenofobia, ignoram que nação não se anula pelo fato de estarmos divididos em unidades federativas, ou em norte e sul. Essa visão reducionista de ímpeto separatista é própria de pessoas acometidas pela esquizofrenia política, desprovidas de senso de coletividade e, notadamente, de humanidade. Pertencem ao estrato social, cujas características comportamentais identitárias são o isolacionismo, o individualismo, o secessionismo e, sobretudo, o segregacionismo.

Até aqui tenho me dado conta de que, biologicamente, esse grupo ostenta traços genéticos de conduta primitiva que, estupidamente, persistem feito vírus mutante e resistente. E agora, vemos esse vírus se inflar e proliferar graças a cega idolatria política e ao meio favorável das tecnologias de comunicação. Insisto em minha particular teoria de que xenofobismo, ou qualquer forma de preconceito, não carece de estudos aprofundados para a sua compreensão. Ele está umbilicalmente relacionada à “burrice genética”.