Espero, sinceramente, que o mês de abril seja pintado de azul por você. Ele irá se tornando azul na medida que tivermos consciência de que no Brasil, o contingente de portadores do TEA - Transtorno do Espectro Autista, já ultrapassa 2 milhões, metade aproximadamente, ainda sem diagnóstico.

Pesquisas e esforços científicos já direcionados nesta área são relevantes, embora, chegar a cura ainda demande uma considerável caminhada, por envolver, supostamente, uma associação de fatores genéticos e exógenos.

Enquanto a ciência não ultrapassa a fronteira do desconhecido, o grande desafio repousa no diagnóstico precoce de observação, conjugado com digno acolhimento e competente tratamento. É aqui que a sensibilidade coletiva pode pintar o abril de azul e fazer a digna diferença.

Por falar em sensibilidade, a incansável AMA - Associação de Amigos do Autista convida a comunidade a ajudar pintar o abril de azul. Confira a programação na fanpage da entidade e colabore com a causa.

Ao mesmo tempo, a entidade propõe uma analogia sobre a concha e a pérola, como meio didático de compreensão e conscientização do autismo.

A ideia é instigar a reflexão de que “a concha envolve a pérola, sendo algumas mais difíceis de abrir do que outras. Quando abrimos, percebemos que existem várias formas e cores de pérolas, mas todas com seu próprio brilho, e isso é o que acontece com os autistas”.

Penso que, conhecer a concha e descobrir a pérola é, acima de tudo, refletir acerca do que sabemos ‘comumente’ e do que não sabemos ‘essencialmente’ sobre autismo. Guardadas exceções, ‘comumente’ sabemos que é uma sentença de exclusão social, mas, ‘essencialmente’ não sabemos que é apenas perceber as coisas e a vida diferentemente da maioria das pessoas.

‘Comumente’ sabemos que é um distúrbio que enclausura o portador em seu próprio mundo, mas, ‘essencialmente’ não sabemos que é um caminho diferente de interação humana percebendo o mundo de forma pura.

‘Comumente’ sabemos que é retardo mental, mas, ‘essencialmente’ não sabemos que mentes brilhantes pensam fora do padrão comum, cabendo a nós o desafio de entendê-las.

‘Comumente’ sabemos que autismo remete ao silêncio, mas, ‘essencialmente’ não sabemos que, conforme Nicholas Sparks, “o silêncio é sagrado.

Ele aproxima as pessoas, pois só quem se sente confortável ao lado de outra pessoa, pode ficar sentado sem falar. Esse é o grande paradoxo”.

‘Comumente’ sabemos que essa luta se restringe a uma entidade, mas, ‘essencialmente’ não sabemos que é uma missão comunitária, pertencente a todos.

Enfim, ‘comumente’ sabemos muito, mas, ‘essencialmente’ sabemos pouco. Venha conosco fazer o abril azul.

 

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