Confesso que tenho explorado estudos de cunho antropológico, sociológico e teológico buscando entender a raiz do racismo. Aos olhos do mundo, na última terça feira (26), a anfitriã da Copa de 2018 já antecipou seu recado: aqui não toleramos negros. A vítima desta vez foi o senegalês Sadio Mané, jogador do Liverpool, alvo da tradicional e recorrente intolerância racista russa. Em partida de 1 a 1, entre Liverpool e Spartak Moscou, pela segunda rodada do Grupo F da Champions League UEFA, o atleta foi hostilizado pela torcida local, que imitava sons de macacos sempre que este se apossava da bola.

Minha inquietude, acompanhada de minhas pesquisas, tem me levado a algumas respostas. Manifestações ultrajantes de cunho preconceituoso, sejam em relação à cor, sexo, etnia, religião ou política, sejam em relação à posição social, cultural ou filosófica, sempre se fizeram presentes nas sociedades desde os tempos mais remotos. Até aqui tenho me dado conta, cientificamente, que injúrias dessa natureza ostentam traços genéticos de conduta primitiva e subdesenvolvida que, estupidamente, persistem feito vírus mutante e resistente.

Agora, em nossa moderna, mas nada evoluída sociedade, esse vírus se prolifera graças ao meio favorável da tecnologia da informação. Evidências genéticas de paleontólogos nos revelam que nossos ancestrais chegaram ao norte da Europa há cerca de 40 mil anos. Detalhe: antes disso, passaram cinco milhões de anos, esteticamente padronizados, no berço africano. Então poderíamos deduzir, em tese, que a diversidade de caracteres físicos começa a se revelar há cerca de 40 mil anos, graças ao processo de evolução e de deslocamento. Por decorrência, surge a multiplicidade de raças com suas condições e aspectos peculiares e, bem no fim, o racismo.

Um retrospecto bem abreviado. Como a raiz histórica do racismo envolve uma miríade de teorias, sintetizo tudo em duas principais visões: a “visão classificatória reducionista”, invenção hierarquizada do modernismo ocidental, apoiada no pseudo princípio de que os caracteres físicos se convertem em raça e influenciam o comportamento. E a “visão teológica” baseada em passagens bíblicas como a de Noé que amaldiçoa seu único filho negro, profetizando que seus descendentes seriam escravizados pelos descendentes de seus irmãos.

Essas duas equivocadas visões têm legitimado barbáries históricas como a escravidão, o holocausto, o apartheid e genocídios diversos. Como as referências científicas explicam, mas não justificam, chego convictamente a minha particular visão: a raiz do racismo, ou de qualquer forma de preconceito, não carece de estudos aprofundados para a sua compreensão. Ela está umbilicalmente relacionada à “burrice genética”.