A recuperação da rodovia SC-108 pode ser, figurativamente, comparada a uma paciente que, tragicamente, entrou em coma profundo. Está prestes a despertar do distenso coma, mas terá efeitos colaterais e, além do mais, deixará sequelas. O último e esperançoso estímulo aplicado à paciente, aqui identificada como SC-108, foi a mobilização de entidades organizadas e população, ocorrida ontem, às 18h01.

Não há dúvidas de que, passado um ano, o coma será revertido. No entanto, isso não significa que a paciente estará curada. Agora demandará tratamento dos efeitos colaterais e esforço para reaprender a viver com as sequelas. Nesta análise figurativa, os efeitos colaterais seriam as vias adjacentes que, por conta dos desvios, sofreram danos significativos e necessitarão de investimentos para os devidos reparos.

Já, as sequelas irreversíveis, seriam as perdas de caráter econômico e social da região, jamais recuperáveis. Ademais, não esqueçamos que, nessa analogia figurada, o hospital em que trabalhou-se o tratamento da paciente, assumiria aqui o personagem ‘estado’. Logo, um hospital emperrado pela burocracia, moroso, ineficiente e negligente.

O ‘boletim’ final nos atesta que o histórico dessa obra, é um demonstrativo fiel do senso de urgência que o estado dedica a quem produz e arrecada para esse mesmo estado. Um lamentável paradoxo.